Anemia Ferropriva em Idosos: Investigação e Manejo

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 62 anos, com queixa de fadiga, dispneia e intolerância aos exercícios há algumas semanas, nega emagrecimento e uso de medicamentos. No exame físico, apresenta palidez cutâneo-mucosa (++/4+), queilose, sopro sistólico II/VI, audível em todo o precórdio e síndrome das pernas inquietas. Os exames complementares mostram hemoglobina = 9,5g/dL, VCM = 72fl, CHCM = 28g/dL, reticulócitos = 2%, ferro sérico = 20mcg/dL (VR = 50-150mcg/dL), capacidade total de ligação do ferro = 450mcg/dL (VR = 250- 370mcg/dL) e ferritina = 14ng/mL. O próximo passo na abordagem da anemia apresentada pela paciente deve ser:

Alternativas

  1. A) realizar TC de tórax e abdômen
  2. B) iniciar sulfato ferroso 40mg 3x/dia
  3. C) realizar colonoscopia e endoscopia digestiva alta
  4. D) iniciar ácido fólico 1mg/dia e vitamina B12 1.000U/dia

Pérola Clínica

Anemia ferropriva em idosa (VCM ↓, Ferritina ↓, CTFL ↑) → investigar sangramento gastrointestinal com EDA e Colonoscopia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta anemia microcítica e hipocrômica com marcadores de deficiência de ferro (ferro sérico baixo, CTFL alta, ferritina baixa). Em pacientes idosos, a causa mais comum de anemia ferropriva é a perda crônica de sangue, sendo o trato gastrointestinal a principal fonte. A investigação com endoscopia e colonoscopia é essencial para identificar a origem do sangramento.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e a principal causa de anemia. Em pacientes idosos, como a mulher de 62 anos do caso, a etiologia mais frequente não é a ingestão inadequada, mas sim a perda crônica de sangue, sendo o trato gastrointestinal a fonte mais comum. Os sintomas apresentados – fadiga, dispneia, palidez, queilose e síndrome das pernas inquietas – são clássicos da deficiência de ferro. Os exames laboratoriais confirmam a anemia microcítica e hipocrômica (Hemoglobina baixa, VCM baixo, CHCM baixo) e a deficiência de ferro (ferro sérico baixo, capacidade total de ligação do ferro elevada e ferritina sérica baixa). A ferritina é um excelente marcador dos estoques de ferro, e valores abaixo de 30 ng/mL são diagnósticos de deficiência de ferro. Diante de uma anemia ferropriva em um paciente idoso, o próximo passo crucial é investigar a causa da perda sanguínea. A realização de endoscopia digestiva alta e colonoscopia é imperativa para descartar lesões no trato gastrointestinal superior e inferior, incluindo úlceras, angiodisplasias, divertículos e, mais importante, neoplasias malignas. Iniciar a suplementação de ferro sem essa investigação pode mascarar uma condição subjacente grave e atrasar um diagnóstico vital.

Perguntas Frequentes

Quais exames confirmam a anemia ferropriva e sua causa?

A anemia ferropriva é confirmada por hemograma (VCM baixo, CHCM baixo), ferro sérico baixo, CTFL elevada e ferritina sérica baixa. A causa é investigada com endoscopia digestiva alta e colonoscopia para excluir sangramento gastrointestinal.

Por que é crucial investigar a causa da anemia ferropriva em idosos?

Em idosos, a anemia ferropriva é frequentemente causada por perda crônica de sangue, sendo o trato gastrointestinal a principal fonte. É fundamental investigar para descartar condições graves como câncer colorretal ou gástrico, que requerem tratamento específico.

Quais são os sintomas da anemia ferropriva além da fadiga?

Além da fadiga e dispneia, a anemia ferropriva pode causar palidez cutâneo-mucosa, queilose angular (rachaduras nos cantos da boca), coiloníquia (unhas em colher), glossite, pica e síndrome das pernas inquietas.

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