Anemia Ferropriva Grave: Quando Transfundir em Idosos

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 88 anos, portador de doença arterial obstrutiva periférica em uso de antiagregantes plaquetários, vem apresentando quadro de astenia e cansaço, associado a palidez cutânea. Apresenta Hb = 7,1g/dL, com VCM = 72 e HCM = 22. Por se tratar de uma anemia hipocrômica e microcítica, aventou-se o diagnóstico de anemia ferropriva. Nesse caso, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) a ferritina sérica nos casos de anemia ferropriva pode estar alta, principalmente em casos de sangramento gastrintestinal crônico.
  2. B) a transfusão sanguínea é recomendada, após solicitação do perfil de ferro, principalmente devido aos sintomas.
  3. C) não será possível manter a hemoglobina elevada se os níveis de ferro sérico estiverem normais e a ferritina estiver baixa.
  4. D) o paciente tem indicação apenas de reposição de ferro para tratamento de sua anemia, sem necessidade de transfusão sanguínea.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva sintomática grave (Hb < 7-8 g/dL) em idoso com comorbidades → transfusão sanguínea.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com comorbidades como doença arterial obstrutiva periférica e sintomas de astenia e cansaço, uma hemoglobina de 7,1 g/dL indica anemia grave, e a transfusão sanguínea é recomendada para alívio rápido dos sintomas e melhora da oxigenação tecidual, mesmo antes do perfil completo de ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, caracterizada pela redução dos estoques de ferro no organismo, levando à diminuição da produção de hemoglobina. Em idosos, a prevalência é alta, e as causas mais comuns incluem sangramento crônico (especialmente gastrintestinal), má absorção e dieta inadequada. A anemia pode exacerbar comorbidades existentes, como doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. O diagnóstico é baseado em exames laboratoriais que mostram hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos (anemia microcítica e hipocrômica), ferritina sérica baixa, saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) elevada. A presença de sintomas como astenia, cansaço e palidez, especialmente em pacientes com comorbidades, indica a necessidade de intervenção rápida. O tratamento primário é a reposição de ferro, preferencialmente por via oral. No entanto, em casos de anemia grave (Hb < 7-8 g/dL) e/ou sintomas significativos que comprometem a qualidade de vida ou a estabilidade clínica do paciente, a transfusão sanguínea é indicada para correção rápida da anemia e alívio dos sintomas, enquanto a causa subjacente é investigada e tratada. É fundamental sempre investigar a etiologia da anemia ferropriva, especialmente em idosos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para transfusão sanguínea em anemia ferropriva?

A transfusão é geralmente indicada para pacientes sintomáticos com hemoglobina abaixo de 7 g/dL, ou abaixo de 8 g/dL em pacientes com doença cardiovascular ou outras comorbidades que comprometam a tolerância à anemia.

Como a ferritina sérica se comporta na anemia ferropriva?

A ferritina sérica é o melhor marcador para avaliar os estoques de ferro. Na anemia ferropriva, a ferritina está tipicamente baixa. No entanto, pode estar normal ou elevada em casos de inflamação ou sangramento crônico, mascarando a deficiência de ferro.

Qual a importância da investigação da causa da anemia ferropriva em idosos?

Em idosos, a anemia ferropriva é frequentemente causada por sangramento gastrintestinal crônico. É crucial investigar a causa subjacente, como úlceras, pólipos ou neoplasias, para um tratamento definitivo e prevenção de recorrências.

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