Anemia Ferropriva: Tratamento com Reposição de Ferro Oral

SMS São José dos Pinhais - Secretaria Municipal de Saúde (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente 28 anos, sexo feminino, encaminhada com o diagnóstico de anemia ferropriva. Refere ciclo menstrual irregular, com metrorragia desde a adolescência. No momento da consulta não tem queixas. Ao exame físico: mucosa conjuntival hipocorada ++4+ e sem sinais de instabilidade hemodinâmica. Os exames mostram Hb 6,8g/dL, VCM 62/fL, HCM 20pg, CHCM 24%, Leucócitos 7420/ul, Neutrófilos, 4420/ul, Plaquetas 470000/ul, Ferro sérico e ferritina abaixo dos valores de referência e capacidade total de ligação de ferro acima dos valores de referência. A conduta adotada pelo médico é:

Alternativas

  1. A) Transfusão de 01 unidade de concentrado de hemácias.
  2. B) Reposição de ferro por via enteral.
  3. C) Reposição de ferro por via parenteral.
  4. D) Eritropoetina.
  5. E) Orientações dietéticas.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva sem instabilidade hemodinâmica → Reposição de ferro por via enteral é a primeira escolha.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva, mesmo com Hb baixa, se o paciente estiver hemodinamicamente estável e sem sintomas graves que impeçam a absorção oral, deve ser tratada com ferro por via enteral. A transfusão é reservada para instabilidade ou sintomas agudos.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando predominantemente mulheres em idade fértil devido a perdas menstruais e gestações. Sua importância clínica reside no impacto na qualidade de vida e na necessidade de identificar e tratar a causa subjacente, como a metrorragia neste caso. É um diagnóstico comum em ambulatórios e pronto-socorros. O diagnóstico é laboratorial, caracterizado por anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), ferritina sérica baixa (melhor indicador dos estoques de ferro), ferro sérico baixo e capacidade total de ligação de ferro (CTLF) elevada. A paciente do caso, apesar da hemoglobina baixa (6,8 g/dL), está hemodinamicamente estável e sem queixas agudas, o que direciona a conduta. O tratamento de escolha para anemia ferropriva, na ausência de instabilidade hemodinâmica ou contraindicações à via oral, é a reposição de ferro por via enteral (oral), geralmente com sulfato ferroso. A transfusão de hemácias é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica, sintomas graves ou necessidade de correção rápida. A eritropoetina não é a primeira linha para anemia ferropriva isolada. Orientações dietéticas são complementares, mas insuficientes para corrigir uma anemia já estabelecida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios laboratoriais para diagnosticar anemia ferropriva?

O diagnóstico é confirmado por hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos (anemia microcítica e hipocrômica), ferritina sérica baixa, ferro sérico baixo e capacidade total de ligação de ferro (CTLF) elevada.

Quando a reposição de ferro por via parenteral é indicada?

A via parenteral é indicada para pacientes com intolerância ao ferro oral, má absorção intestinal, doença inflamatória intestinal ativa, necessidade de reposição rápida (ex: pré-operatório) ou falha terapêutica com ferro oral.

Em que situações a transfusão de concentrado de hemácias é necessária na anemia ferropriva?

A transfusão é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica, sintomas graves de hipóxia tecidual (angina, insuficiência cardíaca) ou anemia muito grave que necessite de correção rápida, e que não respondem à reposição de ferro.

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