Anemia Ferropriva em Idosos: Diagnóstico e Conduta

INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 69 anos se queixa de dispneia aos esforços e fraqueza. Nega doenças atuais ou prévias conhecidas. Não faz uso de medicamentos, e nega tabagismo ou etilismo. O exame físico não revela anormalidades. Exames de laboratório: Hg: 9,6g/dL; Hct: 29%; VCM: 78fL; HCM: 25,2pg; CHCM: 30g/dL; Reticulócitos: 0,5%; LG: 5.670/mm3; plq: 198.000/mm3; Fe: 34ng/mL; CTLF: 410mcg/dL; IST: 14%; ferritina: 6mcg/dL; creat: 0,9mg/dL. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Realizar exame endoscópico dos tratos digestivos alto e baixo.
  2. B) Solicitar eletroforese de hemoglobina.
  3. C) Solicitar mielograma e biópsia de medula óssea.
  4. D) Solicitar pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva em idoso → investigar sangramento gastrointestinal (EDA e colonoscopia).

Resumo-Chave

A anemia ferropriva em pacientes idosos, mesmo sem sintomas gastrointestinais evidentes, deve sempre levantar a suspeita de perda sanguínea crônica do trato digestivo. A baixa ferritina é o marcador mais sensível e específico de deficiência de ferro, indicando esgotamento dos estoques.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando principalmente mulheres em idade fértil e crianças. Em idosos, sua presença deve sempre levantar a suspeita de perda sanguínea crônica, sendo o trato gastrointestinal a fonte mais frequente, mesmo na ausência de sintomas evidentes. A investigação da causa é primordial antes de iniciar a suplementação de ferro. O diagnóstico laboratorial da anemia ferropriva é caracterizado por anemia microcítica e hipocrômica, ferritina sérica baixa (melhor indicador dos estoques de ferro), saturação de transferrina (IST) reduzida e capacidade total de ligação do ferro (CTLF) aumentada. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre a ingestão/absorção de ferro e sua perda, levando ao esgotamento das reservas corporais. A conduta mais adequada para anemia ferropriva em idosos é a investigação da causa subjacente, principalmente com endoscopia digestiva alta e colonoscopia, para excluir neoplasias ou outras lesões sangrantes. A suplementação de ferro deve ser iniciada após a investigação e tratamento da causa, se possível, para evitar mascarar um sangramento ativo e garantir a resolução definitiva do problema.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores laboratoriais da anemia ferropriva?

Os principais marcadores incluem hemoglobina e VCM baixos, ferritina sérica muito baixa (melhor indicador de estoque), saturação de transferrina (IST) reduzida e capacidade total de ligação do ferro (CTLF) elevada.

Por que a investigação endoscópica é crucial na anemia ferropriva em idosos?

Em idosos, a causa mais comum de anemia ferropriva é a perda sanguínea crônica do trato gastrointestinal, frequentemente por lesões como pólipos, divertículos ou neoplasias, que podem ser assintomáticas e exigem investigação com EDA e colonoscopia.

Quais as causas mais comuns de anemia ferropriva em pacientes idosos?

As causas mais comuns em idosos são sangramento gastrointestinal (úlcera péptica, angiodisplasia, diverticulose, câncer colorretal) e, em menor grau, má absorção ou ingestão dietética inadequada.

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