Anemia Ferropriva: Diagnóstico e Manejo da Hipermenorreia

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 35 anos, procura atendimento em posto de saúde por cansaço e dores nas pernas. Traz consigo exames ginecológicos e hemograma, pois estava em investigação de hipermenorreia antes da pandemia e não conseguiu agendar retorno. Exames ginecológicos estão dentro da normalidade e hemograma mostra Hb: 8,2g/dl; HT: 25%; VCM: 78fl; HCM: 25pg; RDW: 17%; Leucócitos: 9820/mm³; Plaquetas: 502.000/mm³.Quanto ao caso, podemos afirmar que

Alternativas

  1. A) deve se tratar de anemia ferropriva; a correção da hipermenorreia seria a principal medida para o tratamento.
  2. B) deve se pedir perfil de ferro, dosagem de ácido fólico e zinco e já iniciar reposição de vitamina B12, devido à suspeita de neuropatia.
  3. C) a reposição de ferro deve ser feita para resolução definitiva da anemia.
  4. D) o aumento de consumo de feijão e beterraba deve ser estimulado e investigada Doença de Von Willebrand, devido à hipermenorreia.
  5. E) devido à microcitose e plaquetose, deve se investigar talassemia e também mieloproliferações.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica + RDW ↑ + hipermenorreia → Anemia ferropriva.

Resumo-Chave

O quadro de anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos) com RDW elevado, associado a hipermenorreia e plaquetose reacional, é altamente sugestivo de anemia ferropriva. A correção da causa do sangramento (hipermenorreia) é fundamental para o sucesso do tratamento e prevenção de recorrências, além da reposição de ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando predominantemente mulheres em idade fértil devido à perda sanguínea menstrual. O quadro clínico de cansaço e dores nas pernas, associado a um hemograma que revela anemia microcítica (VCM baixo), hipocrômica (HCM baixo) e RDW elevado, é altamente sugestivo de deficiência de ferro. A presença de hipermenorreia (sangramento menstrual excessivo) é um fator etiológico chave nesse contexto, pois a perda crônica de sangue leva ao esgotamento das reservas de ferro. A plaquetose (aumento do número de plaquetas) observada no hemograma é um achado comum na anemia ferropriva, sendo uma resposta reacional à deficiência de ferro. O diagnóstico é confirmado com a avaliação do perfil de ferro (ferritina sérica baixa, saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação do ferro elevada). A reposição de ferro é essencial para corrigir a anemia e restaurar as reservas, mas o tratamento definitivo requer a identificação e correção da causa da perda sanguínea. Neste caso, a hipermenorreia é a causa mais provável da anemia ferropriva. Portanto, além da reposição de ferro, a principal medida terapêutica deve ser a investigação e o tratamento da hipermenorreia para cessar a perda crônica de sangue e prevenir a recorrência da anemia. Ignorar a causa subjacente levará a um ciclo vicioso de anemia e necessidade contínua de suplementação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem anemia ferropriva?

A anemia ferropriva tipicamente apresenta-se com anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo), RDW elevado e, em alguns casos, plaquetose reacional. A ferritina sérica baixa confirma a deficiência de ferro.

Por que a hipermenorreia é uma causa comum de anemia ferropriva em mulheres?

A perda crônica e excessiva de sangue menstrual na hipermenorreia esgota progressivamente as reservas de ferro do corpo, levando à deficiência e, consequentemente, ao desenvolvimento da anemia ferropriva.

Além da reposição de ferro, qual a importância de tratar a causa da anemia ferropriva?

Tratar a causa subjacente, como a hipermenorreia, é crucial para evitar a recorrência da anemia, pois a reposição de ferro isolada não resolve a perda contínua e excessiva, impedindo a resolução definitiva do quadro.

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