FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Uma mãe leva a filha de 14 anos, à consulta na UBS. Há alguns meses vem notando afilha mais introspectiva, desanimada e queixando-se o tempo inteiro de cansaço, além de queda de cabelo mais pronunciada que o habitual. A menina fica a maior parte do tempo no próprio quarto, navegando as redes sociais. Se alimenta apenas 2 vezes ao dia e evita a ingestão de carnes, pois está sempre de dieta. Não prática nenhuma atividade física, não tem um hobby ou outra atividade extra-curricular. Na escola, as notas são medianas e não há queixas dos professores, exceto a educação física - que a paciente sempre dá uma desculpa para não participar. Ao Exame físico: P: 37Kg (P3)//E:156cm (P25) //IMC:15,20(P<3). Bom estado geral, discretamente hipocorada. Sem massas ou adenomegalias. Sem alterações cutâneas ou mucosas. Sem alterações articulares. Avaliação abdominal e gênitourinária sem alterações. Resultado de exames solicitados pelo médico da família: Hb:8,3g/dL; Ht: 24,5%; VCM: 68fL. HCM: 18pg: CHCM: 23g/dl; RDW: 24%; Leucócitos: 8780/mm³ (Bastonetes: 0%, Neutrófilos: 52%. Linfócitos: 34%, Eosinófilos: 3%, Monócitos: 10%,Basófilos: 1%); Plaquetas: 480.000/mm³; Velocidade de Eritrossedimentação (VHS): 20; Proteína C reativa <1 mg/dl 25-OH; Vitamina D: 11ng/ml; TSH: 4mUI/L; T4 Livre: 1,1 ng/dl;Urina 1 (jato médio) >ph: 6,0; Densidade: 1033; Proteína: ausente; Glicose: ausente; Corpos cetónicos: ausente; Hb: ausente; Bilirrubina: ausente Urobilinogênio: ausente; Nitrito: negativo: Cilindros: ausente; Flora bacteriana: +; Leucócitos 25/campo; Hemácias ausente. FAN: Positivo - 1:160. Padrão nuclear pontilhado fino denso. Fator reumatoide: negativo. Antiestreptolisina O (ASLO): 360 Ul/mL (VR: 200 Ul/mL). A conduta a partir deste momento é:
Adolescente + Dieta restritiva + Anemia microcítica/hipocrômica = Reposição de Ferro.
Quadros de fadiga e anemia microcítica em adolescentes com dietas restritivas devem ser tratados inicialmente com correção nutricional e suplementação, evitando excesso de exames invasivos.
A adolescência é um período de alta demanda metabólica e vulnerabilidade a transtornos alimentares e comportamentais. A paciente apresenta sinais clássicos de anemia ferropriva (fadiga, queda de cabelo, microcitose) exacerbados por uma dieta restritiva (evita carnes) e baixo IMC. O sedentarismo e o tempo excessivo de tela contribuem para a deficiência de vitamina D. O manejo deve ser multiprofissional, envolvendo pediatria/médico de família, nutrição e psicologia. É fundamental focar na reabilitação nutricional e na mudança de hábitos de vida antes de prosseguir com investigações hematológicas ou reumatológicas complexas, a menos que não haja resposta ao tratamento inicial.
Um FAN (Fator Antinuclear) de 1:160 com padrão pontilhado fino denso pode ser encontrado em até 15% da população saudável e, isoladamente, sem sinais clínicos de colagenose (como artrite, fotossensibilidade ou nefrite), não autoriza o diagnóstico de doença autoimune. No caso clínico, a anemia é claramente explicada pela restrição alimentar e o FAN deve ser interpretado como um achado inespecífico.
A combinação de anemia, VCM baixo (microcitose) e RDW elevado (anisocitose) é altamente sugestiva de anemia ferropriva. A conduta inicial inclui a reposição de ferro elementar (3 a 5 mg/kg/dia) e orientação dietética para aumentar a ingestão de ferro heme. A resposta ao tratamento é confirmada pelo aumento de reticulócitos em 7-10 dias e normalização da hemoglobina em 1-2 meses.
A hipovitaminose D (11 ng/ml) é comum em adolescentes devido à baixa exposição solar (uso excessivo de telas em ambientes fechados) e dieta pobre em fontes de vitamina D. A reposição de colecalciferol é necessária para garantir a saúde óssea e prevenir complicações futuras, acompanhada de estímulo à atividade física ao ar livre.
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