Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Mulher, 68 anos, apresenta fraqueza, adinamia, palpitações e falta de ar aos esforços há 45 dias. Nega antecedentes mórbidos e não faz uso de medicamentos. Exame físico: paciente lúcida e orientada, hipocorada (3+/4+); PA = 110x75 mmHg; FC = 102 bpm; ausculta cardíaca = sopro sistólico ++/6+ em todos os focos; ausculta pulmonar limpa e palpação abdominal inocente. Exames laboratoriais: Hb = 7,4 g/dL, Ht = 20%, VCM = 73 fL, HCM = 22 pg, leucócitos = 6780/mm³, plaquetas = 228000/mm³, ferro sérico = 101 μg/dL.O exame mais indicado para o início de investigação do caso apresentado é
Anemia ferropriva em idoso sem causa óbvia → investigar sangramento gastrointestinal. EDA é o 1º passo.
A paciente idosa apresenta anemia microcítica hipocrômica grave (Hb 7,4 g/dL, VCM 73 fL, HCM 22 pg) com ferro sérico normal, o que é atípico para anemia ferropriva clássica, mas o VCM e HCM são sugestivos. A ausência de antecedentes mórbidos e uso de medicamentos, junto com a idade, levanta forte suspeita de sangramento gastrointestinal oculto, sendo a endoscopia digestiva alta o exame inicial mais indicado.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e uma causa frequente de anemia, especialmente em mulheres em idade fértil e idosos. Em pacientes idosos, a anemia ferropriva deve sempre ser investigada ativamente, pois raramente é apenas de origem nutricional. A principal causa subjacente é o sangramento gastrointestinal crônico, que pode ser oculto e não apresentar sintomas evidentes. Condições como úlceras pépticas, esofagites, angiodisplasias, divertículos e, mais preocupantemente, neoplasias do trato gastrointestinal (câncer colorretal ou gástrico) são etiologias comuns. O diagnóstico laboratorial da anemia ferropriva é caracterizado por anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo), com níveis reduzidos de ferro sérico, ferritina e saturação de transferrina. No caso apresentado, apesar do ferro sérico normal (que pode ser influenciado por inflamação ou variações diurnas), o VCM e HCM baixos, juntamente com a idade da paciente e a ausência de outras causas óbvias, reforçam a suspeita de deficiência de ferro por perda sanguínea. A investigação de sangramento gastrointestinal é prioritária em idosos com anemia ferropriva. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame inicial mais indicado para avaliar o trato gastrointestinal superior (esôfago, estômago e duodeno). Se a EDA for negativa, a colonoscopia deve ser realizada para investigar o trato gastrointestinal inferior. Essa abordagem sistemática é crucial para identificar a causa subjacente da anemia e iniciar o tratamento adequado, que pode incluir a ressecção de lesões malignas.
A principal causa de anemia ferropriva em idosos é o sangramento gastrointestinal crônico, que pode ser oculto e necessita de investigação ativa.
A endoscopia digestiva alta é indicada primeiro para investigar sangramento do trato gastrointestinal superior, que é uma causa comum de anemia ferropriva em idosos, especialmente na ausência de sintomas gastrointestinais claros.
Além da EDA, a colonoscopia é fundamental para investigar sangramento do trato gastrointestinal inferior. Outros exames podem incluir pesquisa de sangue oculto nas fezes, ferritina sérica e saturação de transferrina.
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