PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
ZV, sexo feminino, 47 anos, comparece ao ambulatório relatando fraqueza. Foram solicitados exames laboratoriais que evidenciaram anemia (Hb=10,2mg%). A anamnese e ao exame físico, não foi evidenciada nenhuma alteração. Dentre as opções abaixo, assinale a MELHOR conduta a ser tomada:
Anemia em adultos sem causa óbvia = Investigação obrigatória do trato gastrointestinal (EDA + Colonoscopia).
A prioridade na anemia ferropriva em adultos é identificar a fonte de perda sanguínea, não apenas repor o estoque de ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, mas no contexto de adultos e idosos, ela frequentemente sinaliza perda sanguínea crônica. Em mulheres na peri-menopausa ou pós-menopausa, as perdas ginecológicas diminuem, tornando o trato gastrointestinal a fonte mais provável de sangramento. A abordagem diagnóstica deve ser agressiva, utilizando exames de imagem endoscópica para visualizar diretamente a mucosa. A falha em investigar o TGI em pacientes com ferropenia é um erro grave que pode levar ao diagnóstico tardio de neoplasias operáveis.
Em adultos, especialmente acima dos 40-50 anos ou em mulheres pós-menopausa, a anemia ferropriva deve ser considerada secundária a sangramento gastrointestinal até que se prove o contrário. A realização de Endoscopia Digestiva Alta (EDA) e Colonoscopia é mandatória para excluir causas benignas (úlceras, angiodisplasias) e, principalmente, neoplasias malignas (câncer gástrico ou colorretal) que podem ser assintomáticas em estágios iniciais.
Não. A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) é uma ferramenta de rastreamento para câncer colorretal em populações assintomáticas de risco médio. Uma vez que a paciente já apresenta anemia (Hb 10,2 mg%), ela já é sintomática do ponto de vista laboratorial. Um resultado negativo na PSOF não excluiria a necessidade de colonoscopia, pois o sangramento tumoral pode ser intermitente.
A reposição de ferro (oral ou parenteral) deve ser feita para tratar a deficiência, mas nunca deve atrasar ou substituir a investigação etiológica. O diagnóstico da causa da perda é mais crítico do que a correção do nível de hemoglobina, pois a anemia é apenas o sinal de uma patologia subjacente que pode ser progressiva.
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