Anemia Ferropriva na Infância: Diagnóstico e Manejo

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma criança com 3 anos de idade, sexo feminino, foi atendida no ambulatório de pediatria, por apresentar astenia, cansaço para brincar, sono excessivo, perda de peso e desejo de comer gelo há 8 meses. Trata-se de criança nascida pré-termo, com idade gestacional de 34 semanas, com boa vitalidade, sem intercorrências no período pós-natal. Teve aleitamento materno até os 3 meses. A família é numerosa e tem dificuldade de comprar e diversificar alimentos. O exame físico revelou os seguintes resultados: peso de 11.800 g (escore Z entre −2 e −3); estatura de 85 cm (escore Z entre −2 e −3); frequência respiratória de 50 incursões respiratórias por minuto; frequência cardíaca de 160 batimentos por minuto; temperatura axilar de 36,1 °C. A criança está em regular estado geral, acianótica, anictérica, com mucosas hipocoradas (3+/4+), pele com turgor e elasticidade preservados. Sua ausculta cardíaca e respiratória estão normais; abdome globoso, discretamente distendido, indolor à palpação; fígado e baço não palpados; ausência de adenomegalias em qualquer cadeia.Com base no caso apresentado, faça o que se pede nos itens a seguir.\nIndique a principal hipótese diagnóstica.Cite as alterações esperadas na série vermelha do hemograma.Descreva a evolução da depleção de ferro no organismo e seus marcadores sanguíneos.Cite 3 causas que podem estar relacionadas ao quadro clínico.

Alternativas

Pérola Clínica

Palidez + Pagofagia + Prematuridade + Desmame precoce = Anemia Ferropriva.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum na infância, resultante do desequilíbrio entre oferta e demanda de ferro, agravada por estoques baixos na prematuridade.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva em crianças pré-termo é um desafio comum, pois o aporte de ferro fetal ocorre majoritariamente no terceiro trimestre. O caso descreve uma criança com múltiplos fatores de risco: prematuridade, aleitamento materno exclusivo curto (até 3 meses) e insegurança alimentar. A presença de taquicardia e taquipneia indica mecanismos compensatórios para a baixa oferta de oxigênio aos tecidos. O diagnóstico laboratorial esperado inclui anemia microcítica e hipocrômica, com RDW elevado e ferritina baixa. O tratamento envolve a reposição de ferro elementar (3 a 6 mg/kg/dia) e orientações dietéticas para aumentar a biodisponibilidade do ferro, além do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, já que a anemia ferropriva pode causar prejuízos cognitivos irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Quais as fases da deficiência de ferro no organismo?

A deficiência de ferro progride em três estágios: 1) Depleção de estoques, caracterizada por queda da ferritina; 2) Eritropoiese deficiente em ferro, onde o ferro sérico cai e a capacidade de ligação do ferro (TIBC) aumenta, mas a hemoglobina ainda está normal; 3) Anemia ferropriva instalada, com queda da hemoglobina e índices hematimétricos (VCM e HCM) reduzidos.

O que é pagofagia e qual sua relevância clínica?

A pagofagia é o desejo compulsivo de ingerir gelo, sendo uma forma específica de pica (ou alotriofagia). É um sinal clínico clássico e altamente sugestivo de deficiência de ferro, muitas vezes precedendo a queda da hemoglobina. O mecanismo exato é desconhecido, mas acredita-se que esteja relacionado a alterações em enzimas dependentes de ferro no sistema nervoso central.

Como interpretar o RDW na anemia ferropriva?

O RDW (Red Cell Distribution Width) mede a variação de tamanho entre as hemácias (anisocitose). Na anemia ferropriva, o RDW costuma estar elevado, pois a medula produz células cada vez menores à medida que o ferro acaba, coexistindo com células normais mais antigas. Isso ajuda a diferenciar da Talassemia minor, onde o RDW costuma ser normal.

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