MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 34 anos, nulípara, procura atendimento médico queixando-se de fadiga progressiva, sonolência diurna e queda de cabelo acentuada nos últimos seis meses. Relata que seus ciclos menstruais tornaram-se mais longos e com fluxo mais intenso após a interrupção do uso de anticoncepcional oral há um ano. Ao exame físico, apresenta-se descorada (2+/4+), com queilite angular e unhas quebradiças, sem outras anormalidades. Analise os resultados dos exames laboratoriais apresentados na imagem e assinale a alternativa que indica a hipótese diagnóstica mais provável.
Menorragia + Queilite angular + Unhas quebradiças → Anemia Ferropriva.
A perda sanguínea crônica por fluxo menstrual intenso é a principal causa de anemia ferropriva em mulheres em idade fértil, manifestando-se com sinais de carência de ferro tecidual.
A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum no mundo. Em mulheres em idade fértil, a causa predominante é a perda sanguínea menstrual excessiva. A fisiopatologia envolve três estágios: depleção de estoques (ferritina baixa), eritropoiese ferropriva (ferro sérico baixo) e, finalmente, a anemia instalada com alterações morfológicas nas hemácias. Os sinais físicos como unhas em colher (coiloníquia) e queilite angular são marcadores de deficiência tecidual crônica de ferro, afetando enzimas que dependem desse metal.
O padrão ouro laboratorial inicial é a ferritina baixa, que reflete a depleção dos estoques de ferro. Além disso, observa-se anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM reduzidos), aumento da Capacidade Total de Ligação do Ferro (TIBC) e redução da saturação de transferrina. O RDW costuma estar elevado, indicando anisocitose, o que ajuda a diferenciar de outras anemias microcíticas onde o RDW pode ser normal.
Na anemia ferropriva, o RDW é elevado e a contagem de hemácias costuma estar reduzida. Na beta-talassemia minor, o VCM é muito baixo (microcitose acentuada), mas o RDW é geralmente normal e a contagem de hemácias é paradoxalmente alta (poliglobulia microcítica). O perfil de ferro na talassemia é normal ou apresenta ferro sérico elevado, ao contrário da ferropenia.
A base do tratamento é a reposição de ferro elementar (geralmente via oral, 60-200mg/dia de ferro elementar) e, crucialmente, a identificação e tratamento da causa base da perda de ferro. Em mulheres jovens, a investigação ginecológica para tratar a menorragia é essencial para evitar a recidiva do quadro anêmico após a suspensão da suplementação.
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