HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023
Mulher de 68 anos de idade, previamente hígida, que não toma nenhum remédio, procura a Unidade Básica de Saúde por queixa de fraqueza e um cansaço, que nunca teve antes. Conta que há dois meses vem tendo fadiga e desânimo. O único antecedente relevante que refere é uma tendência a ressecamento. Mas nega sangramento nas fezes e queixas dispépticas. Ao exame clínico, está eutrófica, mas bastante descorada. Além de discreta taquicardia, não foi achada nenhuma outra alteração nem no exame físico geral nem específico. Foi feito exame de sangue que mostrou anemia hipocrômica e microcítica. Hemoglobina: 7,2 g/dL; hematócrito: 21%. O exame protoparasitológico de fezes teve a primeira amostra negativa. A melhor conduta para esta paciente, neste momento, dentre as abaixo, é:
Anemia ferropriva em idoso sem causa aparente → investigar sangramento gastrointestinal (colonoscopia).
Em pacientes idosos, especialmente mulheres pós-menopausa, a anemia ferropriva sem causa evidente (como sangramento menstrual) deve ser investigada agressivamente para sangramento gastrointestinal oculto, mesmo na ausência de sintomas digestivos. O câncer colorretal é uma causa importante e a colonoscopia é o exame de escolha para sua detecção.
A anemia ferropriva é uma condição comum, mas sua etiologia varia significativamente com a idade e o sexo. Em mulheres jovens, a menorragia é a causa mais frequente. No entanto, em homens e mulheres pós-menopausa, a principal preocupação é o sangramento gastrointestinal crônico, que pode ser oculto e insidioso, levando à depleção das reservas de ferro. A fisiopatologia da anemia ferropriva envolve a perda crônica de sangue, que excede a capacidade de absorção de ferro, resultando em diminuição da hemoglobina e características microcíticas e hipocrômicas no hemograma. A investigação deve ser sistemática, incluindo a pesquisa de sangramento oculto nas fezes. Mesmo na ausência de sintomas gastrointestinais ou de um exame protoparasitológico negativo, a persistência da anemia ferropriva em idosos exige uma investigação mais aprofundada. A conduta para esta paciente, uma mulher de 68 anos com anemia ferropriva grave (Hb 7,2 g/dL) e sem causa aparente, deve ser a investigação do trato gastrointestinal. A colonoscopia é o exame de escolha para rastrear neoplasias colorretais e outras causas de sangramento no cólon. A endoscopia digestiva alta também pode ser necessária, dependendo da avaliação. A reposição de ferro deve ser iniciada após ou em paralelo à investigação, mas nunca como única medida.
A principal causa de anemia ferropriva em idosos e mulheres pós-menopausa é o sangramento gastrointestinal crônico, mesmo que oculto e sem sintomas evidentes. Neoplasias malignas do trato gastrointestinal, como o câncer colorretal, são uma preocupação significativa.
A colonoscopia é indicada na investigação da anemia ferropriva em todos os pacientes idosos, homens e mulheres pós-menopausa, e em qualquer paciente com evidência de sangramento gastrointestinal, mesmo que oculto, após exclusão de outras causas mais comuns.
Iniciar a reposição de ferro antes de investigar a causa da anemia ferropriva, especialmente em idosos, pode atrasar o diagnóstico de condições graves como o câncer colorretal. A reposição de ferro trata o sintoma (anemia) mas não a doença de base, que pode progredir silenciosamente.
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