UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Paciente feminina, 25 anos, queixa de cansaço aos esforços, fraqueza e dor nas pernas. Ao exame está descorada, com taquicardia discreta, sem outras alterações. Traz consigo hemograma alterado, com hemoglobina de 8,4 g/dl; VCM 72 fl; HCM 24 pg. Baseado em sua hipótese diagnóstica, qual(ais) o(s) seguinte(s) questionamento(s) na anamnese dirigida que NÃO deveria(am) ser feito(s)?
Anemia microcítica hipocrômica + sintomas → investigar deficiência de ferro (ingesta, perdas, absorção).
A paciente apresenta um quadro clássico de anemia ferropriva (microcítica e hipocrômica com sintomas de cansaço e fraqueza). A anamnese deve focar em causas de deficiência de ferro, como baixa ingestão, perdas sanguíneas (menstruação, TGI) ou má absorção. Hortaliças verde-escuras são fontes de ácido fólico e ferro não-heme, mas a questão busca o que NÃO deveria ser feito, e a ingestão de ferro heme (carnes) e fatores que afetam a absorção são mais relevantes para o diagnóstico diferencial.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando predominantemente mulheres em idade fértil e crianças. Caracteriza-se por uma redução na produção de glóbulos vermelhos devido à falta de ferro, essencial para a síntese de hemoglobina. Clinicamente, manifesta-se com fadiga, palidez, dispneia, taquicardia e, em casos mais avançados, glossite, coiloníquia e pica. O diagnóstico é sugerido por um hemograma que revela anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), e confirmado por exames como ferritina sérica baixa, saturação de transferrina reduzida e aumento da capacidade total de ligação do ferro (TIBC). A anamnese dirigida é crucial para identificar a causa da deficiência de ferro. Em mulheres jovens, é fundamental questionar sobre o ciclo menstrual (volume e duração), histórico de gestações, hábitos alimentares (ingestão de carnes, vegetarianismo), uso de medicamentos (AINEs que podem causar sangramento gastrointestinal), e sintomas gastrointestinais (sangramento nas fezes, diarreia crônica). Fatores que inibem a absorção de ferro, como a ingestão de café, chá ou laticínios junto às refeições ricas em ferro, também são relevantes. A ingestão de hortaliças verde-escuras, embora importante para a saúde geral e fonte de ácido fólico e ferro não-heme, não é o questionamento mais crítico para a investigação inicial de uma anemia ferropriva grave, especialmente quando comparado a perdas sanguíneas ou ingestão de ferro heme. O tratamento da anemia ferropriva envolve a reposição de ferro (geralmente oral) e, fundamentalmente, a identificação e correção da causa subjacente para evitar recorrências. A educação nutricional e o acompanhamento são essenciais para o sucesso terapêutico e a prevenção.
Os sintomas mais comuns incluem cansaço, fraqueza, palidez, dispneia aos esforços, taquicardia, tontura e, em casos graves, pica ou síndrome das pernas inquietas.
A anemia ferropriva tipicamente se manifesta com hemoglobina baixa, VCM (Volume Corpuscular Médio) reduzido (microcitose) e HCM (Hemoglobina Corpuscular Média) reduzido (hipocromia).
Em mulheres jovens, as causas mais comuns são perdas sanguíneas ginecológicas (menorragia), gestações múltiplas, dietas vegetarianas/veganas com ingestão inadequada de ferro e, menos frequentemente, sangramento gastrointestinal ou má absorção.
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