Anemia Ferropriva em DII: Ferro Endovenoso é a Solução

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 32 anos, portador de doença inflamatória intestinal mal controlada, apresentando hematoquezia, é encaminhado ao hematologista para tratamento de anemia ferropriva. Queixa-se de cansaço importante e tonturas. Relata previsão de cirurgia por fístula anal, assim que melhorar do quadro de anemia. Faz uso prévio de ferro, via oral, com piora de diarreia e sangramento. Frente ao descrito nesse caso, podemos inferir:

Alternativas

  1. A) Mesmo diante de ferropenia importante, só devemos realizar reposição de ferro após melhora completa do quadro inflamatório.
  2. B) Devido à anemia sintomática, necessidade de cirurgia breve e efeitos colaterais prévios com a reposição via oral, a reposição endovenosa de ferro é uma boa opção.
  3. C) Os efeitos gastrointestinais podem ser reduzidos com a reposição de ferro, via oral, dividida em mais tomadas ao longo do dia.
  4. D) A anemia inflamatória deve ser tratada antes da reposição de ferro, usando eritropoetina recombinante humana.
  5. E) A transfusão de concentrado de hemácias seria a melhor opção, para evitar os efeitos colaterais da reposição de ferro.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva em DII com intolerância oral e necessidade rápida → ferro EV é a melhor opção.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença inflamatória intestinal (DII) e anemia ferropriva sintomática, especialmente com intolerância ao ferro oral e necessidade de correção rápida (ex: pré-cirúrgico), a reposição de ferro endovenoso é a abordagem preferencial devido à melhor absorção e menor incidência de efeitos gastrointestinais.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a complicação hematológica mais comum em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), afetando significativamente a qualidade de vida e o prognóstico. Sua etiologia é complexa, envolvendo sangramento gastrointestinal crônico (como a hematoquezia descrita), má absorção de ferro devido à inflamação da mucosa intestinal e, frequentemente, a coexistência de anemia de doença crônica. O tratamento da anemia ferropriva na DII exige uma abordagem individualizada. Embora o ferro oral seja a primeira linha para muitos casos, pacientes com DII frequentemente apresentam intolerância gastrointestinal (piora de diarreia, dor abdominal) ou má resposta devido à inflamação ativa. Nesses cenários, especialmente quando há anemia sintomática e necessidade de correção rápida (como antes de uma cirurgia), a reposição de ferro endovenoso torna-se a opção preferencial. O ferro endovenoso oferece vantagens como maior biodisponibilidade, menor incidência de efeitos colaterais gastrointestinais e uma correção mais eficiente dos estoques de ferro. A transfusão de concentrado de hemácias é reservada para casos de anemia grave com instabilidade hemodinâmica ou sintomas de isquemia tecidual, não sendo a primeira escolha para correção da ferropenia. A eritropoetina recombinante humana é usada principalmente na anemia de doença crônica refratária ao ferro, não sendo a abordagem inicial para ferropenia.

Perguntas Frequentes

Por que a anemia ferropriva é comum em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII)?

A anemia ferropriva em DII é multifatorial, resultando de sangramento crônico (hematoquezia), má absorção de ferro devido à inflamação intestinal e, em alguns casos, da anemia de doença crônica que afeta o metabolismo do ferro.

Quando a reposição de ferro endovenoso é indicada em pacientes com DII?

A reposição de ferro endovenoso é indicada para pacientes com DII e anemia ferropriva que não toleram o ferro oral, não respondem a ele, apresentam anemia grave, ou necessitam de correção rápida, como antes de uma cirurgia.

Quais são as vantagens do ferro endovenoso em comparação com o ferro oral na DII?

O ferro endovenoso tem melhor absorção, evita os efeitos gastrointestinais adversos do ferro oral (que podem piorar os sintomas da DII) e permite uma correção mais rápida dos estoques de ferro.

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