UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Paciente de 32 anos, portador de doença inflamatória intestinal mal controlada, apresentando hematoquezia, é encaminhado ao hematologista para tratamento de anemia ferropriva. Queixa-se de cansaço importante e tonturas. Relata previsão de cirurgia por fístula anal, assim que melhorar do quadro de anemia. Faz uso prévio de ferro, via oral, com piora de diarreia e sangramento. Frente ao descrito nesse caso, podemos inferir:
Anemia ferropriva em DII com intolerância oral e necessidade rápida → ferro EV é a melhor opção.
Em pacientes com doença inflamatória intestinal (DII) e anemia ferropriva sintomática, especialmente com intolerância ao ferro oral e necessidade de correção rápida (ex: pré-cirúrgico), a reposição de ferro endovenoso é a abordagem preferencial devido à melhor absorção e menor incidência de efeitos gastrointestinais.
A anemia ferropriva é a complicação hematológica mais comum em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), afetando significativamente a qualidade de vida e o prognóstico. Sua etiologia é complexa, envolvendo sangramento gastrointestinal crônico (como a hematoquezia descrita), má absorção de ferro devido à inflamação da mucosa intestinal e, frequentemente, a coexistência de anemia de doença crônica. O tratamento da anemia ferropriva na DII exige uma abordagem individualizada. Embora o ferro oral seja a primeira linha para muitos casos, pacientes com DII frequentemente apresentam intolerância gastrointestinal (piora de diarreia, dor abdominal) ou má resposta devido à inflamação ativa. Nesses cenários, especialmente quando há anemia sintomática e necessidade de correção rápida (como antes de uma cirurgia), a reposição de ferro endovenoso torna-se a opção preferencial. O ferro endovenoso oferece vantagens como maior biodisponibilidade, menor incidência de efeitos colaterais gastrointestinais e uma correção mais eficiente dos estoques de ferro. A transfusão de concentrado de hemácias é reservada para casos de anemia grave com instabilidade hemodinâmica ou sintomas de isquemia tecidual, não sendo a primeira escolha para correção da ferropenia. A eritropoetina recombinante humana é usada principalmente na anemia de doença crônica refratária ao ferro, não sendo a abordagem inicial para ferropenia.
A anemia ferropriva em DII é multifatorial, resultando de sangramento crônico (hematoquezia), má absorção de ferro devido à inflamação intestinal e, em alguns casos, da anemia de doença crônica que afeta o metabolismo do ferro.
A reposição de ferro endovenoso é indicada para pacientes com DII e anemia ferropriva que não toleram o ferro oral, não respondem a ele, apresentam anemia grave, ou necessitam de correção rápida, como antes de uma cirurgia.
O ferro endovenoso tem melhor absorção, evita os efeitos gastrointestinais adversos do ferro oral (que podem piorar os sintomas da DII) e permite uma correção mais rápida dos estoques de ferro.
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