SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um lactente de 10 meses de vida foi levado à consulta ambulatorial. A mãe referiu alimentação predominante com leite de vaca integral desde os quatro meses, bem como palidez progressiva. Ao exame, o paciente mostrava-se ativo, com palidez cutânea leve, sem sopros; FC = 124 bpm, FR = 30 irpm, SpO₂ = 98%, e peso e estatura adequados. Hemograma mostrou Hb = 8,7 g/dL; VCM = 68 fL e RDW aumentado. Considerando o quadro apresentado, qual o diagnóstico mais provável?
Lactente + Leite de vaca precoce + Hb ↓ + VCM ↓ + RDW ↑ = Anemia Ferropriva.
O consumo de leite de vaca integral antes de 1 ano é o principal fator de risco para anemia ferropriva devido à baixa biodisponibilidade de ferro e micro-hemorragias intestinais.
A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum na infância em todo o mundo. No Brasil, a introdução precoce de leite de vaca e a demora na introdução de alimentos ricos em ferro heme (carnes) são os principais vilões. O quadro laboratorial clássico evolui em estágios: primeiro caem os estoques (ferritina), depois o ferro sérico diminui com aumento da capacidade de ligação (TIBC), e finalmente instala-se a anemia microcítica e hipocrômica com RDW elevado. O reconhecimento precoce é vital, pois a deficiência de ferro em janelas críticas do desenvolvimento cerebral pode causar déficits cognitivos e motores irreversíveis.
O leite de vaca integral é um fator de risco crítico por três motivos principais: 1) Possui baixa concentração de ferro e este ferro tem baixíssima biodisponibilidade comparado ao leite materno; 2) A proteína do leite de vaca pode causar micro-hemorragias na mucosa intestinal imatura do lactente (enteropatia induzida pela proteína do leite de vaca); 3) O cálcio e o fósforo presentes em altas concentrações inibem a absorção do pouco ferro presente na dieta.
Ambas são anemias microcíticas e hipocrômicas (VCM e HCM baixos). No entanto, na anemia ferropriva, o RDW (índice de anisocitose) está tipicamente elevado, refletindo a produção de hemácias de tamanhos variados conforme o estoque de ferro se esgota. Na talassemia minor, o RDW costuma ser normal, pois todas as hemácias são uniformemente pequenas, e o número total de hemácias (RBC) pode estar normal ou até aumentado (poliglobulia microcítica).
O tratamento consiste na reposição de ferro elementar, geralmente na dose de 3 a 6 mg/kg/dia de ferro medicinal (como o sulfato ferroso), administrado preferencialmente longe das refeições ou com sucos cítricos para aumentar a absorção. A resposta terapêutica é avaliada pelo aumento dos reticulócitos em 5-10 dias e aumento da hemoglobina em cerca de 1 g/dL após 30 dias. O tratamento deve continuar por 2 a 4 meses após a normalização da hemoglobina para repor os estoques de ferritina.
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