UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Uma mulher de 20 anos é referenciada a um serviço de pronto atendimento por um hemograma com Hb 5,0g/dL, VCM 55fL, RDW 23%, GB 4200/uL, neutrófilos 2450/uL, linfócitos 1100/uL e plaquetas 275.000/uL. A anamnese revela sintomas como fadiga progressiva, sonolência eventual e pagofagia, há alguns meses. Refere hipermenorreia há alguns anos. A melhor conduta inicial para esse caso é
Anemia microcítica hipocrômica (VCM ↓, RDW ↑) + pagofagia + hipermenorreia → Anemia Ferropriva Grave. Dosar ferritina e iniciar ferro EV.
Uma mulher jovem com anemia grave (Hb 5.0 g/dL), microcítica (VCM 55 fL) e com RDW elevado (23%), associada a sintomas de fadiga, pagofagia e hipermenorreia, tem um quadro clássico de anemia ferropriva. A conduta inicial mais adequada é dosar a ferritina para confirmar a deficiência de ferro e iniciar a reposição de ferro endovenoso, dada a gravidade da anemia e a provável má absorção ou intolerância ao ferro oral.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando predominantemente mulheres em idade fértil e crianças. É caracterizada pela diminuição da produção de hemoglobina devido à falta de ferro, essencial para a eritropoiese. A apresentação clínica varia de assintomática a sintomas graves como fadiga, dispneia, palidez, coiloníquia e pagofagia, dependendo da gravidade e cronicidade da anemia. A fisiopatologia envolve um balanço negativo de ferro, seja por ingestão insuficiente, absorção prejudicada ou perda excessiva (como na hipermenorreia ou sangramentos gastrointestinais). O diagnóstico é feito pelo hemograma (anemia microcítica e hipocrômica, RDW elevado) e pela dosagem de ferritina sérica, que reflete os estoques de ferro. Outros exames, como ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro (TIBC) e saturação da transferrina, complementam a investigação. O tratamento visa corrigir a deficiência de ferro e tratar a causa subjacente. A reposição de ferro é a base do tratamento, preferencialmente por via oral para casos leves a moderados. Em anemias graves, intolerância ao ferro oral, má absorção ou necessidade de resposta rápida, o ferro endovenoso é a opção mais eficaz. A transfusão de concentrado de hemácias é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica, hipóxia tecidual grave ou sintomas cardíacos, e não substitui a investigação e tratamento da causa da deficiência de ferro.
A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina baixa, volume corpuscular médio (VCM) diminuído (anemia microcítica), hemoglobina corpuscular média (HCM) diminuída (anemia hipocrômica) e, frequentemente, um índice de distribuição de eritrócitos (RDW) elevado, indicando anisocitose. A ferritina sérica é o melhor marcador de estoque de ferro e estará baixa.
A pagofagia (desejo de comer gelo) é um sintoma clássico e específico da deficiência de ferro, embora sua fisiopatologia não seja totalmente clara. A hipermenorreia (sangramento menstrual excessivo) é uma das causas mais comuns de anemia ferropriva em mulheres em idade fértil, levando à perda crônica de ferro.
O ferro endovenoso é preferível em casos de anemia ferropriva grave, intolerância ou má absorção ao ferro oral, doença inflamatória intestinal ativa, ou quando há necessidade de correção rápida da anemia. Na anemia grave (Hb < 7 g/dL) com sintomas, o ferro EV permite uma reposição mais eficiente e rápida dos estoques de ferro.
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