Anemia Ferropriva em Crianças: Diagnóstico e Sinais

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Menina de 18 meses, previamente hígida, é trazida para a consulta na Unidade Básica de Saúde. A menor era institucionalizada e foi adotada há 2 meses. A mãe adotiva relata que a menor iniciou há 1 mês com quadro de tosse, febre baixa e inapetência e que foi levada a um pronto-socorro, no qual realizaram radiografia de tórax e prescreveram amoxicilina 50 mg/kg/dia, durante 10 dias, para quadro de pneumonia. O antibiótico terminou há 14 dias, porém a criança continua sintomática. Ao exame físico, está em regular estado geral, emagrecida, descorada +/4, levemente taquipneica, sem desconforto respiratório, com frequência cardíaca de 110 bpm e afebril. Apresenta gânglio cervical de 2 cm de diâmetro. Ausculta pulmonar com roncos e estertores subcrepitantes difusos. Ausculta cardíaca e abdome sem alterações.Recebeu as seguintes vacinas, de acordo com a caderneta de vacinação: BCG e hepatite B ao nascimento, 3 doses de pentavalente e VIP com 2, 4 e 6 meses, 2 doses de pneumocócica 10-valente e 2 doses de meningocócica conjugada tipo C com 3 e 5 meses.Exames realizados no início do quadro: radiografia de tórax apresenta condensação em lobo médio e hemograma: Hb = 10,1 g/dL, Ht = 30%, volume corpuscular médio (VCM) = 68 μ³, concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) = 28 g/dL, coeficiente de variação do volume eritrocitário (RDW) = 18%, leucócitos = 10 200 (3% bastonetes, 56% segmentados, 3% eosinófilos, 2% monócitos, 36% linfócitos), plaquetas = 390 000/mm3.Antes da adoção, foram realizadas as sorologias para HIV, sífilis e hepatite C, todas negativas.De acordo com os dados clínicos e hematimétricos, a principal hipótese é de

Alternativas

  1. A) anemia falciforme.
  2. B) anemia ferropriva.
  3. C) anemia hemolítica autoimune.
  4. D) anemia associada ao quadro infeccioso.
  5. E) leucemia linfoblástica aguda.

Pérola Clínica

Criança com microcitose (VCM ↓), hipocromia (CHCM ↓), RDW ↑ + inapetência → Anemia Ferropriva.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse, febre baixa e inapetência, somado aos achados laboratoriais de hemograma (Hb 10,1, Ht 30%, VCM 68, CHCM 28, RDW 18%) em uma criança de 18 meses, previamente institucionalizada, é altamente sugestivo de anemia ferropriva. A microcitose (VCM baixo), hipocromia (CHCM baixo) e anisocitose (RDW elevado) são características clássicas dessa condição, frequentemente associada a deficiências nutricionais em crianças.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças globalmente, com alta prevalência em populações vulneráveis, incluindo crianças institucionalizadas. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas, bem como os achados laboratoriais característicos, para um diagnóstico e tratamento precoces. O diagnóstico baseia-se na história clínica (dieta inadequada, prematuridade, sangramento), exame físico (palidez, taquicardia) e, principalmente, no hemograma. A anemia ferropriva clássica apresenta-se como microcítica (VCM < 70 fL em crianças < 2 anos, < 80 fL em > 2 anos) e hipocrômica (CHCM < 32 g/dL), com um RDW (índice de anisocitose) geralmente elevado, refletindo a variabilidade no tamanho das hemácias. O tratamento consiste na suplementação de ferro oral, com acompanhamento para verificar a resposta (reticulocitose em 5-10 dias, aumento da Hb em 1-2 g/dL em 3-4 semanas). A prevenção é fundamental, com aleitamento materno exclusivo até 6 meses e introdução de alimentos ricos em ferro na dieta complementar. A persistência de sintomas respiratórios e gânglios, como no caso, pode ser inespecífica ou indicar uma infecção concomitante, mas a anemia ferropriva é a hipótese mais provável para os achados hematimétricos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por anemia microcítica (VCM baixo), hipocrômica (CHCM baixo), com anisocitose (RDW elevado). A hemoglobina e o hematócrito também estarão reduzidos.

Por que o histórico de institucionalização é relevante para o diagnóstico de anemia ferropriva?

Crianças institucionalizadas frequentemente têm dietas com menor biodisponibilidade de ferro ou ingestão insuficiente, aumentando o risco de desenvolver deficiência de ferro e anemia ferropriva.

Quais são os sintomas clínicos comuns da anemia ferropriva em crianças?

Os sintomas podem ser inespecíficos, incluindo inapetência, irritabilidade, fadiga, palidez, e em casos mais graves, pica e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.

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