Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico Laboratorial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 8 meses, sem morbidades, recebeu aleita- mento materno exclusivo até os 4 meses de idade e, desde então, recebe leite de vaca integral in natura acrescido de açúcar e farinha, refeição de sal uma vez ao dia, e frutas: 2 porções por dia. Faz uso diário de vitaminas A e D profiláticas. Como aceita pouca dieta, a mãe está preocupada com o crescimento dele. Ao exame, está em bom estado geral, descorado +/4, ativo, com peso e comprimento no percentil 50. Como não faz uso de ferro profilático, o pediatra solicita a  coleta de hemograma. Frente a esse quadro clínico, espera-se encontrar, além da hemoglobina baixa:

Alternativas

  1. A) volume corpuscular médio baixo e índice de variação de eritrócitos aumentado.
  2. B) volume corpuscular médio baixo e reticulócitos aumentado.
  3. C) índice de variação de eritrócitos baixo e reticulócitos baixo.
  4. D) índice de variação de eritrócitos aumentado e reticulócitos aumentado.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva em lactente: VCM ↓ e RDW ↑ devido à deficiência crônica de ferro.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva, comum em lactentes com introdução alimentar inadequada e sem suplementação de ferro, caracteriza-se por microcitose (VCM baixo) e anisocitose (RDW aumentado) no hemograma, refletindo a heterogeneidade no tamanho das hemácias.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, especialmente em lactentes entre 6 e 24 meses. É uma condição de grande importância clínica e de saúde pública, frequentemente associada a práticas alimentares inadequadas e ausência de suplementação profilática de ferro, sendo um tema recorrente em provas de residência. O quadro clínico de descoloração e preocupação com o crescimento, juntamente com a história de aleitamento materno exclusivo prolongado sem suplementação e introdução alimentar com leite de vaca integral e farinha (pobre em ferro e com potencial de inibir absorção), é altamente sugestivo de anemia ferropriva. No hemograma, espera-se encontrar hemoglobina baixa, Volume Corpuscular Médio (VCM) baixo (microcitose) e Índice de Variação de Eritrócitos (RDW) aumentado (anisocitose), refletindo a heterogeneidade no tamanho das hemácias. Os reticulócitos, que são hemácias jovens, geralmente não estão aumentados na anemia ferropriva não tratada, pois a medula óssea não consegue produzir novas células de forma eficaz sem ferro. O tratamento envolve a suplementação de ferro e a correção das práticas alimentares, com monitoramento da resposta hematológica.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de anemia ferropriva em lactentes?

As principais causas incluem deficiência de ferro na dieta (introdução alimentar inadequada, consumo excessivo de leite de vaca), baixo peso ao nascer, prematuridade e perdas sanguíneas crônicas.

Por que o Volume Corpuscular Médio (VCM) é baixo na anemia ferropriva?

O VCM é baixo porque a deficiência de ferro impede a síntese adequada de hemoglobina, levando à produção de hemácias menores (microcíticas) para compensar a falta de pigmento.

O que o Índice de Variação de Eritrócitos (RDW) aumentado indica na anemia ferropriva?

O RDW aumentado indica anisocitose, ou seja, uma grande variação no tamanho das hemácias, refletindo a tentativa da medula óssea de produzir glóbulos vermelhos de diferentes tamanhos em resposta à deficiência de ferro.

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