TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, de 29 anos, G5P4A1 com relato de fraqueza generalizada intensa, além de queda de cabelos, unhas quebradiças e dispneia. O hemograma revela Hb = 4,3 g/dL, Ht = 13%, plaquetas 600.000/mm3 e saturação de transferrina de 7%. Qual seria o diagnóstico mais provável?
Hb ↓ + Saturação Transferrina < 15% + Trombocitose → Anemia Ferropriva.
A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia globalmente; em mulheres multíparas, a depleção de estoques por gestações sucessivas e perdas menstruais é o principal fator etiológico.
A anemia ferropriva representa o estágio final da depleção de ferro no organismo. O caso clínico descreve uma mulher jovem, multípara (G5P4A1), grupo de altíssimo risco devido às demandas aumentadas de ferro durante as gestações e perdas menstruais contínuas. A hemoglobina extremamente baixa (4,3 g/dL) associada a sinais de carência nutricional (unhas e cabelos) e laboratório compatível (saturação de transferrina de 7%) fecha o diagnóstico. É importante notar a presença de trombocitose (600.000/mm³), que neste contexto é reativa e não deve ser confundida com síndromes mielodisplásicas ou leucemias sem outros achados sugestivos. O tratamento envolve não apenas a reposição de ferro (preferencialmente parenteral dada a gravidade da anemia), mas também a investigação e controle da causa base do sangramento ou má absorção para evitar recidivas.
A trombocitose reativa é um achado comum em casos de anemia ferropriva grave. O mecanismo exato ainda é discutido, mas acredita-se que a eritropoietina (EPO), que está elevada em resposta à anemia, possua uma semelhança estrutural com a trombopoietina (TPO). Além disso, a própria deficiência de ferro parece estimular a linhagem megacariocítica na medula óssea. Geralmente, a contagem de plaquetas normaliza rapidamente após o início da reposição de ferro, não indicando uma patologia hematológica primária da linhagem plaquetária.
A saturação de transferrina reflete a porcentagem de sítios de ligação da transferrina que estão ocupados pelo ferro. Em condições normais, varia entre 20% e 45%. Valores abaixo de 15-20% são altamente sugestivos de deficiência de ferro para a eritropoiese (ferropenia funcional ou absoluta). No caso apresentado, a saturação de 7% é patognomônica de uma deficiência grave de ferro, indicando que quase não há ferro disponível para ser transportado para a medula óssea para a síntese de hemoglobina.
Além dos sintomas gerais de anemia (palidez, dispneia, fadiga), a deficiência de ferro manifesta-se por alterações epiteliais específicas. A queda de cabelos (alopecia), unhas quebradiças ou em formato de colher (coiloníquia), glossite (língua lisa e dolorosa) e queilite angular são sinais de que as enzimas celulares que dependem do ferro estão comprometidas. Outro sintoma característico é a pica ou perversão do apetite, como o desejo de comer gelo (pagofagia) ou terra (geofagia).
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