USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher, 70 anos, há 8 meses com adinamia e dispneia progressiva. Exame físico: BEG, hipocorada 2+/4+, sem outras alterações. Hemograma completo: hemoglobina: 9,6 g/dL; VCM: 73 fL; glóbulos brancos: 5.300/µL; plaquetas: 425.000/µL; reticulócitos=0,3%. Ácido fólico: 6,0 ng/mL (VR: 3,0 a 17,0); vitamina B12: 654 pg/mL (VR: 174,0 a 878,0); ferritina: 1,5 ng/mL (VR: 10 a 291); ferro sérico: 25 ug/dL (VR: 50 a 170); capacidade latente de fixação de ferro: 460 ug/dL (VR: 250 a 425). Qual exame deve ser solicitado para complementar a avaliação da paciente?
Anemia ferropriva em idoso → Sempre investigar sangramento gastrointestinal oculto (EDA e colonoscopia).
A anemia ferropriva em idosos, especialmente com ferritina muito baixa e CLFF elevada, é altamente sugestiva de perda crônica de sangue. A causa mais comum é o sangramento gastrointestinal, que pode ser oculto, justificando a investigação com endoscopia digestiva alta e colonoscopia.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, e sua prevalência aumenta com a idade. Em pacientes idosos, a anemia ferropriva raramente é de origem puramente dietética; ela é quase sempre um sinal de perda crônica de sangue, sendo o trato gastrointestinal a fonte mais frequente. A identificação e investigação da causa subjacente são cruciais, pois pode ser um sintoma de condições graves, incluindo neoplasias malignas. Os exames laboratoriais apresentados (hemoglobina baixa, VCM baixo, ferritina sérica muito baixa, ferro sérico baixo e CLFF elevada) são clássicos da anemia ferropriva. A ferritina é o melhor indicador dos estoques de ferro e um valor tão baixo é altamente sugestivo de deficiência absoluta de ferro. A fisiopatologia envolve a depleção dos estoques de ferro, levando à produção de eritrócitos menores e com menos hemoglobina. A abordagem diagnóstica em idosos com anemia ferropriva deve incluir a busca ativa por sangramento gastrointestinal. Isso geralmente envolve a realização de endoscopia digestiva alta e colonoscopia para identificar lesões como úlceras, pólipos, angiodisplasias ou câncer. O tratamento da anemia ferropriva envolve a correção da causa subjacente e a reposição de ferro, geralmente por via oral, mas em alguns casos, intravenosa. É um ponto crítico para residentes não apenas tratar a anemia, mas investigar sua etiologia.
A paciente apresenta hemoglobina baixa (9,6 g/dL), VCM baixo (73 fL, indicando microcitose), ferritina muito baixa (1,5 ng/mL, refletindo estoques de ferro esgotados), ferro sérico baixo e capacidade latente de fixação de ferro (CLFF) elevada, todos compatíveis com anemia ferropriva.
Em pacientes idosos com anemia ferropriva, a principal causa é a perda crônica de sangue, frequentemente do trato gastrointestinal superior. A endoscopia digestiva alta permite visualizar e biopsiar lesões no esôfago, estômago e duodeno, que podem ser a fonte do sangramento, como úlceras ou tumores.
A colonoscopia também é fundamental, pois lesões no cólon (pólipos, divertículos, câncer colorretal) são causas comuns de sangramento oculto que levam à anemia ferropriva em idosos. A investigação deve ser completa para ambos os segmentos do trato gastrointestinal.
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