Anemia Ferropriva: Investigação da Causa Subjacente

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Homem, 58 anos, apresenta adinamia progressiva há 6 meses, associada a perda ponderal de 8kg no mesmo período (peso habitual 78kg e atual 70kg) e constipação de início recente. Buscou assistência médica, sendo observado ao exame físico palidez cutâneo-mucosa 2+/4+, hemodinamicamente estável, sendo solicitados os seguintes exames: Hemoglobina 9,2g/dL (V.R.≥13g/dL), VCM 68fL (V.R 80 A 98fL), CHCM 25g/dL (V.R. 32 a 36d/dL), RDW 21% (V.R. 11 a 15%), Leucócitos 9800 com diferencial normal Plaquetas 522mil. Qual a melhor abordagem diagnóstica a seguir?

Alternativas

  1. A) Referenciar paciente para hematologista.
  2. B) Solicitar dosagem de vitamina B12 e ácido fólico e endoscopia digestiva alta.
  3. C) Solicitar reticulócitos, índice de saturação de transferrina, ferritina e colonoscopia.
  4. D) Solicitar eletroforese de proteínas séricas, mielograma, imunofenotipagem e biopsia óssea.

Pérola Clínica

Anemia microcítica em homem > 50 anos com perda ponderal → investigar sangramento GI (colonoscopia).

Resumo-Chave

A anemia microcítica hipocrômica com RDW elevado é altamente sugestiva de deficiência de ferro. Em um homem de 58 anos com perda ponderal e constipação recente, a principal preocupação é sangramento gastrointestinal crônico, especialmente de origem colorretal, exigindo investigação com marcadores de ferro e colonoscopia.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e a principal causa de anemia microcítica hipocrômica. Em adultos, especialmente homens e mulheres pós-menopausa, a anemia ferropriva deve ser sempre investigada para identificar a causa subjacente, que frequentemente é perda sanguínea crônica do trato gastrointestinal. A importância clínica reside na possibilidade de mascarar uma doença grave, como o câncer colorretal. A fisiopatologia da anemia ferropriva envolve a depleção das reservas de ferro do corpo, levando à produção de eritrócitos menores (microcíticos) e com menos hemoglobina (hipocrômicos). Os sintomas incluem fadiga, palidez, adinamia, dispneia e, em casos graves, pica e coiloníquia. O diagnóstico laboratorial é feito pela hemoglobina baixa, VCM e CHCM baixos, RDW elevado, ferritina sérica baixa e saturação de transferrina baixa. A abordagem diagnóstica deve ser sistemática. Após confirmar a deficiência de ferro, é imperativo buscar a fonte do sangramento. Em pacientes com idade avançada, perda ponderal e alterações do hábito intestinal, a investigação do trato gastrointestinal com endoscopia digestiva alta e colonoscopia é prioritária para excluir malignidades. O tratamento da anemia ferropriva envolve a reposição de ferro e o tratamento da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais exames confirmam a deficiência de ferro na anemia microcítica?

A deficiência de ferro é confirmada por ferritina sérica baixa, saturação de transferrina baixa e aumento da capacidade total de ligação do ferro (TIBC). Reticulócitos podem estar baixos, indicando baixa produção medular.

Por que a colonoscopia é crucial na investigação de anemia ferropriva em homens e mulheres pós-menopausa?

Em homens e mulheres pós-menopausa, a anemia ferropriva é frequentemente causada por sangramento gastrointestinal crônico, e o câncer colorretal é uma causa importante que deve ser excluída, mesmo na ausência de sintomas gastrointestinais evidentes.

Quais são os diferenciais da anemia microcítica hipocrômica?

Os principais diferenciais incluem anemia ferropriva, talassemias, anemia de doença crônica (em fases iniciais) e anemia sideroblástica. O RDW elevado sugere deficiência de ferro, enquanto nas talassemias costuma ser normal.

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