Anemia Ferropriva: Investigação e Perfil Laboratorial

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 63 anos, procura serviço médico por fraqueza progressiva há 6 meses. Refere ainda perda de 8 kg nesse período e diarreia recorrente. Ao exame físico: pálido ++/4+; anictérico; emagrecido; PA: 150 x 80 mmHg; RCR2T; FC: 100 bpm. Abdome: flácido, com massa móvel, dolorosa, palpável em FID. Ausência de edemas. Seu hemograma inicial mostra: Hb: 8,2 g/dl; VCM: 70 fl e HCM: 21; leucócitos: 6.800/mm³ (eosinófilos: 2%, segmentados: 68%, linfócitos: 22%, monócitos: 8%); plaquetas: 580.000/mm³. Qual dos perfis abaixo é adequado ao caso?

Alternativas

  1. A) Ferro sérico normal, índice de saturação de transferrina aumentado, ferritina baixa.
  2. B) Ferro sérico baixo, índice de saturação de transferrina aumentado, ferritina baixa.
  3. C) Ferro sérico, índice de saturação de transferrina e ferritina diminuídos.
  4. D) Ferro sérico baixo, índice de saturação de transferrina diminuído e ferritina elevada.
  5. E) Ferro sérico e índice de saturação normais, ferritina elevada.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica + sintomas GI/perda peso + massa FID → Deficiência de ferro por sangramento GI.

Resumo-Chave

O paciente apresenta anemia microcítica e hipocrômica (VCM 70 fl, HCM 21), fraqueza, perda de peso e diarreia, além de uma massa em FID, que são sinais clássicos de sangramento gastrointestinal crônico, possivelmente por neoplasia colorretal. Este cenário leva a uma deficiência de ferro, caracterizada por ferro sérico, saturação de transferrina e ferritina diminuídos.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e uma das principais causas de anemia. Em pacientes do sexo masculino e em mulheres pós-menopausa, a anemia ferropriva deve ser sempre investigada para identificar a causa subjacente, sendo o sangramento gastrointestinal crônico a etiologia mais frequente. A apresentação clínica pode incluir fraqueza, fadiga, palidez, e sintomas específicos da causa do sangramento, como alterações do hábito intestinal e perda de peso, que são sinais de alerta para malignidade. O diagnóstico laboratorial da anemia ferropriva é baseado em um hemograma que revela anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), e um perfil de ferro que mostra ferro sérico baixo, índice de saturação de transferrina diminuído e, crucialmente, ferritina sérica baixa (que reflete os estoques de ferro). A transferrina pode estar elevada como um mecanismo compensatório. A presença de trombocitose reativa é um achado comum na anemia ferropriva e pode ser um indicador da gravidade da deficiência ou da presença de inflamação/malignidade. O tratamento da anemia ferropriva envolve a reposição de ferro e, mais importante, a identificação e tratamento da causa subjacente. Em pacientes com sintomas gastrointestinais e anemia ferropriva, a investigação endoscópica (colonoscopia e/ou endoscopia digestiva alta) é mandatória para descartar neoplasias ou outras fontes de sangramento. Para residentes, a abordagem sistemática da anemia ferropriva, desde o diagnóstico laboratorial até a investigação etiológica, é um conhecimento fundamental para a prática clínica e para as provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais clássicos da anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina baixa, VCM e HCM diminuídos (anemia microcítica e hipocrômica), ferro sérico baixo, índice de saturação de transferrina diminuído e ferritina sérica baixa. A transferrina pode estar elevada como resposta compensatória.

Por que a massa em FID e a diarreia são relevantes neste caso de anemia?

A massa em FID (fossa ilíaca direita) e a diarreia recorrente, juntamente com a perda de peso e anemia ferropriva, sugerem fortemente uma patologia gastrointestinal, como uma neoplasia colorretal no cólon direito, que pode causar sangramento crônico e levar à deficiência de ferro.

Qual a importância da trombocitose (plaquetas elevadas) em um paciente com anemia ferropriva?

A trombocitose reativa (plaquetas elevadas) é um achado comum na anemia ferropriva grave. Acredita-se que a deficiência de ferro estimule a produção de trombopoietina, levando ao aumento das plaquetas. Também pode ser um marcador de inflamação ou malignidade subjacente, reforçando a necessidade de investigação.

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