FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Criança com 12 meses vem para consulta de rotina e a mãe refere certa dificuldade de alimentar e início do uso de leite de vaca há 1 mês. Ao exame físico está hipocorada 2+/4+, hidratada, anaictérica, ativa e com neurodesenvolvimento adequedo para a idade. Peso e estatura estão no percentil 10 para a idade, mantendo seu padrão de crescimento desde o nascimento. Para esse paciente, sua principal hipótese e conduta devem ser:
Lactente 12m + hipocorado + uso leite vaca + dificuldade alimentar → Anemia ferropriva.
Um lactente de 12 meses, com hipocromia e introdução precoce de leite de vaca (há 1 mês), além de dificuldade alimentar, tem alta probabilidade de anemia ferropriva. O leite de vaca é pobre em ferro e pode causar micro-hemorragias intestinais, contribuindo para a deficiência. A investigação com hemograma, ferritina e PCR é essencial para confirmar e diferenciar de outras causas.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, especialmente em lactentes e pré-escolares, e representa um sério problema de saúde pública devido aos seus impactos no desenvolvimento cognitivo e motor. A criança de 12 meses, com hipocromia e histórico de introdução de leite de vaca, apresenta um quadro clínico altamente sugestivo dessa condição. A introdução de leite de vaca antes dos 12 meses de idade é um fator de risco bem estabelecido para anemia ferropriva. Isso ocorre porque o leite de vaca é pobre em ferro biodisponível e pode induzir micro-hemorragias no trato gastrointestinal imaturo do lactente, levando à perda crônica de ferro. A dificuldade alimentar também contribui para a ingestão inadequada de ferro. Para o diagnóstico, o hemograma é o exame inicial, revelando anemia microcítica e hipocrômica. No entanto, para confirmar a deficiência de ferro, é fundamental solicitar a ferritina sérica, que é o principal marcador dos estoques de ferro. A proteína C reativa (PCR) é importante para interpretar a ferritina, pois a ferritina é um reagente de fase aguda e pode estar falsamente elevada em processos inflamatórios, mascarando uma deficiência de ferro. A conduta deve ser a solicitação desses exames para confirmar a hipótese e iniciar o tratamento adequado com suplementação de ferro.
Sinais comuns incluem palidez (hipocromia), fadiga, irritabilidade, dificuldade alimentar, pica e, em casos graves, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
O leite de vaca é pobre em ferro e pode causar micro-hemorragias gastrointestinais ocultas em lactentes, levando à perda crônica de ferro e, consequentemente, à anemia ferropriva.
O hemograma (com VCM e HCM baixos), a ferritina sérica (níveis baixos indicam deficiência de ferro) e a proteína C reativa (para avaliar inflamação que pode elevar a ferritina) são cruciais para o diagnóstico e diferenciação.
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