Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico Diferencial

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021

Enunciado

Um lactente com dez meses de vida, nascido de parto normal a termo, com peso adequado e sem intercorrência, foi levado por sua mãe à unidade de atenção básica para uma consulta de puericultura, apresentando unhas quebradiças, irritabilidade, queilite angular e astenia. Ao exame físico, o pediatra observou palidez da face, das palmas das mãos e da mucosa oral e conjuntival e solicitou um hemograma, que demonstrou hemoglobina igual a 10,5 g/dl e hematócrito 31%, o que o fez suspeitar de anemia ferropriva. A mãe informou que ele é amamentado ao seio materno, mas recebe complementação com leite de vaca em pó desde o 6.° mês, aceita pouca alimentação de sal e nunca fez suplementação com ferro oral.Com base nessa situação hipotética, julgue o item.A talassemia-β menor é o principal diagnóstico diferencial da anemia ferropriva.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva vs. Talassemia beta menor: ambas causam anemia microcítica hipocrômica, talassemia é DD importante.

Resumo-Chave

A talassemia-β menor é um diagnóstico diferencial crucial da anemia ferropriva, pois ambas se apresentam com anemia microcítica e hipocrômica. A distinção é fundamental para evitar suplementação desnecessária de ferro em talassêmicos, que pode levar à sobrecarga.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é uma das deficiências nutricionais mais prevalentes na infância, especialmente em lactentes, e é frequentemente associada a práticas alimentares inadequadas, como a introdução precoce de leite de vaca e a baixa ingestão de alimentos ricos em ferro. O quadro clínico, como o descrito na questão, com palidez, irritabilidade, queilite angular e astenia, juntamente com um hemograma que revela hemoglobina e hematócrito reduzidos, é altamente sugestivo. No entanto, é imperativo que o médico considere diagnósticos diferenciais para a anemia microcítica e hipocrômica. Entre eles, a talassemia-β menor se destaca como um dos mais importantes. Esta condição genética, comum em certas populações, pode mimetizar a anemia ferropriva no hemograma, apresentando-se com microcitose e hipocromia. A distinção é crucial, pois a suplementação de ferro em pacientes com talassemia-β menor, que já possuem níveis adequados ou elevados de ferro, pode levar à sobrecarga de ferro e suas complicações. A investigação diagnóstica deve incluir, além do hemograma completo, a avaliação dos estoques de ferro (ferritina sérica) e, se houver suspeita de hemoglobinopatia, a eletroforese de hemoglobina. A resposta terapêutica à suplementação de ferro também é um indicativo importante: melhora do quadro e dos parâmetros hematológicos sugere anemia ferropriva, enquanto a ausência de resposta deve levantar a suspeita de outras etiologias, como a talassemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da anemia ferropriva em lactentes?

Os sinais e sintomas incluem palidez cutaneomucosa, irritabilidade, astenia, unhas quebradiças, queilite angular, glossite e, em casos graves, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e pica.

Como diferenciar anemia ferropriva de talassemia beta menor?

A diferenciação é feita pela resposta à suplementação de ferro (melhora na ferropriva, sem melhora na talassemia), dosagem de ferritina (baixa na ferropriva, normal/alta na talassemia) e eletroforese de hemoglobina (alterada na talassemia).

Qual a importância da suplementação de ferro na puericultura?

A suplementação profilática de ferro é crucial para prevenir a anemia ferropriva em lactentes, especialmente aqueles em aleitamento materno exclusivo após os 6 meses ou com fatores de risco, devido às altas demandas de crescimento.

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