Anemia Ferropriva: Investigação em Pacientes Jovens

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Valentina, 25 anos, sem comorbidades, procura consulta médica por apresentar quadro de astenia e palidez com evolução há alguns meses. Possui um hábito alimentar irregular, com dieta rica em carboidratos e produtos industrializados. Refere que possui ciclos menstruais regulares e nega sangramentos excessivos. Seu Hemograma revela uma Hemoglobina de 8,1g/dl, VG de 25%, VCM de 70fL, HCM de 22,6pg, CHCM de 31,9g/dl e RDW de 15,5%, Ferritina de 8ng/ml. Das opções a seguir, a investigação mais adequada para essa paciente é

Alternativas

  1. A) solicitar eletroforese de hemoglobinas.
  2. B) investigar perda de sangue pelo trato gastrointestinal, sendo o exame de escolha a pesquisa de sangue oculto nas fezes.
  3. C) indicar investigação complementar caso a paciente não apresente melhora após 3 meses de terapia com reposição de ferro.
  4. D) solicitar tomografia de abdome para rastreio de câncer colorretal.
  5. E) investigar doença celíaca.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva refratária/sem causa óbvia → investigar má absorção (ex: Doença Celíaca).

Resumo-Chave

A paciente apresenta anemia microcítica e hipocrômica com ferritina muito baixa, confirmando anemia ferropriva. Apesar da dieta irregular, a ausência de sangramentos excessivos e a idade jovem, sem comorbidades, levantam a suspeita de má absorção de ferro, sendo a doença celíaca uma causa importante a ser investigada neste cenário.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando uma parcela significativa da população, especialmente mulheres em idade fértil. Caracteriza-se pela diminuição dos estoques de ferro no organismo, levando à produção de eritrócitos menores e com menos hemoglobina (anemia microcítica e hipocrômica). Os sintomas incluem astenia, palidez, dispneia e, em casos graves, alterações nas unhas e língua. O diagnóstico laboratorial baseia-se em um hemograma completo que revela hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos, e um RDW que pode estar aumentado. A ferritina sérica é o marcador mais sensível e específico dos estoques de ferro, estando tipicamente muito baixa na anemia ferropriva. Embora a causa mais comum em mulheres seja a perda sanguínea menstrual excessiva, é crucial investigar outras etiologias, especialmente quando a perda não é evidente ou a dieta é inadequada. Em pacientes jovens, como no caso apresentado, com anemia ferropriva e ferritina muito baixa, sem sangramentos excessivos aparentes, a má absorção intestinal deve ser fortemente considerada. A doença celíaca é uma causa importante de má absorção de ferro, onde a inflamação da mucosa do intestino delgado impede a absorção adequada de nutrientes. A investigação envolve a pesquisa de anticorpos específicos (anti-transglutaminase tecidual IgA, anti-endomísio IgA) e, se positivos, a confirmação por biópsia duodenal. O tratamento da causa subjacente é essencial para a resolução da anemia e prevenção de recorrências, além da reposição de ferro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais da anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina baixa, VCM e HCM diminuídos (anemia microcítica e hipocrômica), e ferritina sérica muito baixa, que é o melhor indicador dos estoques de ferro.

Por que investigar doença celíaca em caso de anemia ferropriva?

A doença celíaca pode causar má absorção de nutrientes, incluindo o ferro, levando à anemia ferropriva que pode ser refratária à suplementação oral ou sem uma causa de sangramento aparente. É uma causa comum de anemia ferropriva inexplicada.

Quando suspeitar de má absorção como causa de anemia ferropriva?

Deve-se suspeitar de má absorção quando a anemia ferropriva ocorre sem perda sanguínea evidente, em pacientes com dieta aparentemente adequada, ou quando há falha na resposta à suplementação oral de ferro, indicando que o ferro não está sendo absorvido corretamente.

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