PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Mulher, 62 anos de idade, vem com perda de peso de 6kg nos últimos 3 meses. Nega mudanças alimentares. Nega perda de apetite. Nega prática de atividades físicas. Tem Diabetes Mellitus tipo II. e faz controle com metformina. Hipertensa, em uso regular de losartana e hidroclorotiazida. Nega história familar de neoplasia. Ao exame físico, apresenta hipocromia de mucosas leve. PA: 140x80mmHg. Tireoide palpável com nódulo de cerca de 5,0mm à direita. Sem gânglios patológicos. Aparelhos respiratório e cardiovascular sem alterações. Abdome semal visceromegalias. Exames laboratoriais solicitados revelam: Hemoglobina (Hb): 9,2g/dL, Volume Corpuscular Médio (VCM): 70fL, Glicemia: 120mg/dL, Hemoglobina Glicada (HbA1c): 5,7%, Creatinina: 1,0mg/dL, Ureia: 32mg/dL, Ferro Sérico: 37µg/dL, Índice de Saturação de Transferrina: 12%, T4 Livre: 0,9ng/dL, TSH: 3,6mUI/mL.Identifique a suplementação alimentar que essa paciente deverá repor:
Hb ↓ + VCM ↓ + Saturação Transferrina < 20% → Anemia Ferropriva → Reposição de Ferro.
A anemia microcítica e hipocrômica com baixa saturação de transferrina é característica da deficiência de ferro. Em idosos com perda de peso, a investigação de perdas gastrointestinais é obrigatória.
A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia no mundo, resultando de um desequilíbrio entre a demanda de ferro e sua absorção ou perda. Laboratorialmente, caracteriza-se por anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM/CHCM baixos), com queda do ferro sérico e da saturação de transferrina. A ferritina é o marcador mais sensível dos estoques corporais, mas pode estar falsamente elevada em estados inflamatórios. O tratamento foca na reposição dos estoques de ferro, preferencialmente por via oral com sais de ferro (como o sulfato ferroso). A resposta terapêutica é monitorada pelo aumento dos reticulócitos em 7-10 dias e normalização da hemoglobina em cerca de 2 meses. É crucial ressaltar que o tratamento não termina com a normalização da Hb; a reposição deve continuar por 3 a 6 meses adicionais para repor os estoques de ferritina.
Na anemia ferropriva, a ferritina está baixa (< 30-100 ng/mL) e a Capacidade Total de Ligação do Ferro (TIBC) está aumentada. Na anemia de doença crônica, a ferritina costuma estar normal ou elevada (reagente de fase aguda) e o TIBC está baixo ou normal. Em ambos, o ferro sérico pode estar reduzido, mas a saturação de transferrina é marcadamente menor na ferropriva.
Para adultos com anemia ferropriva, a dose clássica era de 150-200 mg de ferro elementar por dia. No entanto, evidências recentes sugerem que doses menores (60 mg/dia) ou em dias alternados podem ser igualmente eficazes com menos efeitos colaterais gastrointestinais, devido à regulação da hepcidina que limita a absorção de doses altas consecutivas.
A deficiência de ferro em adultos (especialmente homens e mulheres pós-menopausa) é considerada secundária a sangramento gastrointestinal até que se prove o contrário. Mesmo na ausência de sintomas digestivos, a presença de anemia ferropriva e perda de peso exige investigação com endoscopia digestiva alta e colonoscopia para excluir neoplasias colorretais ou gástricas.
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