Anemia Ferropriva: Sinais Chave no Exame Físico

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 18 anos foi encaminhada ao Ambulatório de Hematologia para investigação de anemia hipoproliferativa devido a microcitose e anisocitose ao hemograma. Diante da hipótese de anemia ferropriva, que alteração do exame físico, dentre as abaixo, poderia corroborar esse diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Lesões cutâneas hipocrômicas
  2. B) Diminuição do reflexo patelar
  3. C) Queilite angular
  4. D) Anel de Kayser-Fleischer

Pérola Clínica

Anemia ferropriva → queilite angular, coiloníquia, glossite.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva, caracterizada por microcitose e anisocitose, pode apresentar manifestações clínicas específicas no exame físico, além dos sintomas gerais de anemia. A queilite angular (rachaduras nos cantos da boca), coiloníquia (unhas em colher) e glossite atrófica são sinais clássicos da deficiência de ferro, corroborando o diagnóstico.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum globalmente, afetando uma parcela significativa da população, especialmente mulheres em idade fértil e adolescentes. É caracterizada por uma diminuição na produção de hemácias devido à falta de ferro, essencial para a síntese de hemoglobina. No hemograma, classicamente se apresenta como anemia microcítica e hipocrômica, com anisocitose e poiquilocitose, refletindo a variabilidade no tamanho e forma das hemácias. A fisiopatologia envolve a depleção dos estoques de ferro, levando à eritropoiese deficiente. As manifestações clínicas vão além dos sintomas gerais de anemia (fadiga, palidez, dispneia de esforço) e incluem sinais específicos que podem ser identificados no exame físico. A queilite angular, caracterizada por fissuras e inflamação nos cantos da boca, é um achado clássico. Outros sinais incluem coiloníquia (unhas em formato de colher), glossite atrófica (língua lisa e dolorosa), e pica (desejo por substâncias não alimentares). O tratamento da anemia ferropriva consiste na reposição de ferro, geralmente por via oral, com acompanhamento da resposta hematológica e investigação da causa subjacente da deficiência (ex: sangramento gastrointestinal, menstruação excessiva, má absorção). A identificação desses sinais no exame físico é crucial para o residente, pois pode direcionar a investigação e confirmar a hipótese diagnóstica antes mesmo dos exames laboratoriais confirmatórios, acelerando o início do tratamento e melhorando o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da anemia ferropriva além da fadiga?

Além da fadiga e palidez, a anemia ferropriva pode causar queilite angular (rachaduras nos cantos da boca), coiloníquia (unhas em colher), glossite atrófica (língua lisa e dolorosa), pica (desejo por substâncias não nutritivas como gelo ou terra) e síndrome das pernas inquietas.

Como a queilite angular se relaciona com a deficiência de ferro?

A queilite angular é uma manifestação comum da deficiência de ferro, embora possa ter outras causas. A deficiência de ferro afeta a integridade dos tecidos epiteliais, tornando-os mais suscetíveis a fissuras e inflamações, especialmente em áreas de dobra e umidade como os cantos da boca.

Quais exames laboratoriais confirmam a anemia ferropriva?

O diagnóstico de anemia ferropriva é confirmado por hemograma (anemia microcítica e hipocrômica), ferritina sérica baixa (principal marcador dos estoques de ferro), saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) elevada.

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