Diagnóstico e Laboratório da Anemia Ferropriva Infantil

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 18 meses, chamado Enzo, é levado à consulta de rotina. A mãe relata que ele está mais irritado e "enjoado" para comer nas últimas semanas. Na anamnese alimentar, observa-se consumo excessivo de leite de vaca in natura (cerca de 900 ml/dia) e baixa aceitação de carnes e vegetais verde-escuros. Ao exame físico, Enzo apresenta-se descorado (2+/4+), com irritabilidade à manipulação, mas sem outras alterações sistêmicas. Os exames laboratoriais revelam hemoglobina de 9,0 g/dL, volume corpuscular médio (VCM) de 68 fL, hemoglobina corpuscular média (HCM) de 22 pg e amplitude de distribuição dos eritrócitos (RDW) de 19%. Com base no quadro clínico de deficiência de ferro na infância, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de anemia ferropriva é confirmado quando o VCM está baixo e o RDW encontra-se rigorosamente normal, o que a diferencia das talassemias.
  2. B) A principal causa de anemia ferropriva em lactentes maiores de 6 meses é a perda sanguínea crônica oculta, sendo a dieta um fator secundário.
  3. C) A anemia ferropriva é caracterizada laboratorialmente por ser microcítica e hipocrômica, frequentemente apresentando um aumento do RDW (anisocitose).
  4. D) O tratamento de escolha deve ser realizado com sulfato ferroso na dose de 1 mg/kg/dia de ferro elementar por um período de 15 dias para reposição dos estoques.

Pérola Clínica

Anemia Ferropriva = ↓ VCM + ↓ HCM + ↑ RDW (Anisocitose).

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum; o aumento do RDW é um sinal precoce que ajuda a diferenciá-la de outras anemias microcíticas como a talassemia.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva representa um grave problema de saúde pública, impactando o desenvolvimento neuropsicomotor e a imunidade de lactentes. O diagnóstico baseia-se na história alimentar (baixa ingestão de ferro heme e excesso de inibidores) e no hemograma. A característica clássica é a anemia microcítica e hipocrômica com anisocitose significativa. O tratamento envolve a reposição de ferro elementar (geralmente 3 a 6 mg/kg/dia) e correção rigorosa de hábitos alimentares. A resposta terapêutica é confirmada pelo pico de reticulócitos em 5-10 dias e normalização da hemoglobina em 1-2 meses. É fundamental manter a reposição por mais 2 a 3 meses após a normalização da hemoglobina para restaurar os estoques de ferritina.

Perguntas Frequentes

Como o RDW ajuda no diagnóstico da anemia ferropriva?

O RDW (Red Cell Distribution Width) mede a variação de tamanho entre as hemácias (anisocitose). Na anemia ferropriva, ele costuma estar elevado (>14-15%) porque a medula produz células cada vez menores à medida que o ferro acaba. Isso ajuda a diferenciar da Talassemia minor, onde as células são uniformemente pequenas e o RDW é normal.

Qual a relação entre leite de vaca e anemia ferropriva?

O consumo excessivo de leite de vaca in natura (>500ml/dia) em lactentes contribui para a anemia por três mecanismos: baixa biodisponibilidade do ferro no leite de vaca, inibição da absorção do ferro de outros alimentos pelo cálcio e caseína, e possibilidade de micro-hemorragias intestinais por irritação da mucosa.

Quais são as fases da deficiência de ferro?

A deficiência progride em três estágios: 1) Depleção de estoques (queda da ferritina); 2) Eritropoiese ferropriva (queda do ferro sérico e saturação de transferrina, aumento da capacidade de ligação); 3) Anemia ferropriva instalada (queda da hemoglobina abaixo do percentil para idade, acompanhada de microcitose e hipocromia).

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