HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023
Mulher, 24 anos, com quadro de hipermenorragia há cerca de 1 ano. Apresenta-se à consulta ambulatorial com cansaço, astenia, fraqueza e mal-estar há 3 meses. Refere piora no último mês. Ao exame clínico encontra-se descorada +3/+4, frequência cardíaca 108 bpm, pressão arterial 100/70 mmHg, frequência respiratória 18 rpm. Restante do exame clínico sem alterações. Traz o resultado de um hemograma realizado externamente, onde se evidencia hemoglobina de 9,6g/dL. Além disso, traz exame com perfil de ferro. Levando em consideração a apresentação clínica, assinale a alternativa mais condizente com as alterações laboratoriais que devem estar presentes neste caso:
Hipermenorragia + cansaço + palidez + Hb baixa + VCM/HCM ↓ → Anemia Ferropriva = Ferritina ↓, CTFL ↑, Saturação Transferrina ↓.
A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia, frequentemente associada a perdas sanguíneas crônicas, como a hipermenorragia. Laboratorialmente, caracteriza-se por anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM diminuídos), com depleção dos estoques de ferro, refletida por ferritina sérica baixa, saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação de ferro (CTFL) aumentada.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e a principal causa de anemia, afetando milhões de pessoas, especialmente mulheres em idade fértil e crianças. É caracterizada pela redução da produção de hemoglobina devido à falta de ferro, essencial para sua síntese. Clinicamente, manifesta-se por fadiga, palidez, astenia, dispneia e, em casos graves, taquicardia e sinais de insuficiência cardíaca. A fisiopatologia envolve a depleção dos estoques de ferro do corpo, que pode ser causada por perda crônica de sangue (como hipermenorragia, sangramento gastrointestinal), ingestão inadequada, má absorção ou aumento das necessidades (gravidez, crescimento). Laboratorialmente, o hemograma revela anemia microcítica (VCM < 80 fL) e hipocrômica (HCM < 27 pg). O perfil de ferro mostra ferritina sérica baixa (refletindo estoques de ferro), saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação de ferro (CTFL) aumentada, indicando a tentativa do organismo de captar mais ferro. O tratamento consiste na reposição de ferro, preferencialmente por via oral, e na identificação e correção da causa subjacente da deficiência. É fundamental monitorar a resposta ao tratamento com hemogramas seriados e reavaliar o perfil de ferro. A educação do paciente sobre dieta rica em ferro e a importância da adesão ao tratamento são cruciais para o sucesso terapêutico.
Na anemia ferropriva, espera-se encontrar volume corpuscular médio (VCM) e hemoglobina corpuscular média (HCM) diminuídos, ferritina sérica baixa, saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação de ferro (CTFL) aumentada.
A hipermenorragia, ou sangramento menstrual excessivo, é uma causa comum de perda crônica de sangue em mulheres, levando à depleção dos estoques de ferro e, consequentemente, ao desenvolvimento de anemia ferropriva.
A principal diferença laboratorial é que na anemia ferropriva a ferritina é baixa e a CTFL é alta, enquanto na anemia de doença crônica a ferritina é normal ou alta e a CTFL é normal ou baixa.
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