Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico e Etiologia

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021

Enunciado

Lactente de 11 meses apresenta palidez. No investigatório alimentar, observa-se apenas consumo eventual de frutas, legumes, verduras e carne, pois a criança prefere mamadeira de leite de vaca e mingau com bolacha. AP: aleitamento exclusivo até os 4 meses de vida e após introdução de leite de vaca. Exame físico: BEG, descorado +2/+4, presença de sopro sistólico discreto a ausculta cardíaca, sem visceromegalias. Exame laboratorial: hemograma: Hb 7,5 g/dL, Ht 24%, VCM 62, HCM 19,5, RDW 25%, leucócitos 8 900/mm3 (neutrófilos – 21%, linfócitos – 61%, eosinófilos – 2,6%, monócitos – 15%), plaquetas 460 000/mm3. A classificação morfológica das hemácias e a provável etiologia da anemia são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) normocítica e normocrômica; anemia hemolítica autoimune.
  2. B) macrocítica e normocrômica; anemia megaloblástica.
  3. C) microcítica e hipocrômica; anemia ferropriva.
  4. D) microcítica e hipocrômica; anemia de doença crônica.

Pérola Clínica

Lactente com palidez, dieta rica em leite de vaca e pobre em ferro, VCM ↓, HCM ↓, RDW ↑ → anemia ferropriva.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em lactentes, frequentemente causada por ingestão inadequada de ferro (ex: consumo excessivo de leite de vaca e pouca carne/vegetais). O hemograma típico mostra anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos) com anisocitose (RDW elevado).

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais prevalente em crianças, especialmente em lactentes entre 6 e 24 meses de idade. Ela resulta da ingestão insuficiente de ferro, absorção inadequada ou perdas sanguíneas crônicas. As consequências da anemia ferropriva incluem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento da função imunológica e redução da capacidade de aprendizado, impactando significativamente a saúde e o desenvolvimento infantil. O diagnóstico da anemia ferropriva baseia-se na história clínica, com destaque para a dieta, e nos achados do hemograma. A criança típica apresenta palidez, irritabilidade e, em casos mais graves, sopros cardíacos funcionais. Laboratorialmente, caracteriza-se por anemia microcítica e hipocrômica, com Volume Corpuscular Médio (VCM) e Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) abaixo dos valores de referência para a idade. O Red Cell Distribution Width (RDW) geralmente está elevado, indicando anisocitose, que é a variação no tamanho das hemácias. O tratamento da anemia ferropriva consiste na suplementação de ferro oral, acompanhada de orientações dietéticas para aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro (carnes vermelhas, feijão, vegetais verde-escuros) e evitar o consumo excessivo de leite de vaca, que é pobre em ferro e pode inibir sua absorção. A prevenção é fundamental e inclui o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, introdução adequada de alimentos complementares ricos em ferro e, em algumas populações, a suplementação profilática de ferro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que indicam anemia ferropriva em crianças?

Os principais achados incluem hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos (anemia microcítica e hipocrômica) e RDW elevado (anisocitose), refletindo a variabilidade no tamanho das hemácias.

Qual a relação entre o consumo de leite de vaca e a anemia ferropriva em lactentes?

O consumo excessivo de leite de vaca antes dos 12 meses pode levar à anemia ferropriva por ser pobre em ferro, causar micro-hemorragias gastrointestinais e interferir na absorção de ferro de outros alimentos.

Como diferenciar anemia ferropriva de anemia de doença crônica no hemograma?

Ambas podem ser microcíticas e hipocrômicas, mas na anemia ferropriva o RDW é tipicamente elevado, enquanto na anemia de doença crônica o RDW é geralmente normal ou discretamente elevado. A ferritina sérica é baixa na ferropriva e normal/elevada na doença crônica.

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