Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021

Enunciado

Você atende a um lactente de 8 meses, acompanhado pela mãe que se queixa de que a criança está descorada e que não quer comer. Na anamnese você constata que a criança nasceu de parto normal a termo, sem intercorrências, recebeu aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e agora recebe fórmula infantil durante os horários que a mãe está no trabalho. Mãe referre que a criança não aceita bem as papas de legumes e frutas e que faz uso apenas de vitamina D.Exame físico sem alterações exceto palidez cutânea 2+/4+ sem visceromegalias na palpação abdominal.Mãe traz um hemograma colhido há 2 semanas que apresenta: Hb=9,4, Ht=28,1, VCM=70,HCM=22 e RDW=13% Considerando o contexto clínico citado, qual o diagnóstico mais provável e a melhor conduta a ser seguida nesse caso: 

Alternativas

  1. A) Anemia carencial (ferropriva), suplementar com ferro medicamentoso e repetir o hemograma em 1 mês.
  2. B) Anemia carencial (ferropriva), solicitar perfil férrico e introduzir o ferro somente após resultado de exames.
  3. C) Anemia de doença crônica, solicitar exames e introduzir o ferro somente após resultado de exames.
  4. D) Talassemia minor, colher eletroforese de hemoglobina e suplementar com ferro e dieta adequada para a idade.

Pérola Clínica

Lactente com anemia microcítica-hipocrômica + história alimentar inadequada → Anemia ferropriva = Ferro medicamentoso empírico.

Resumo-Chave

O quadro clínico de palidez e inapetência em lactente de 8 meses, com história de aleitamento materno exclusivo até 6 meses sem suplementação de ferro e recusa de alimentos sólidos, associado a hemograma com anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos, RDW normal), é altamente sugestivo de anemia ferropriva. A conduta inicial é a suplementação empírica com ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, especialmente em lactentes e pré-escolares, com importantes implicações no desenvolvimento neuropsicomotor. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar seus efeitos a longo prazo. Residentes devem estar aptos a identificar os fatores de risco e as manifestações clínicas. A fisiopatologia envolve a ingestão insuficiente de ferro para suprir as demandas de crescimento rápido e a expansão do volume sanguíneo. O aleitamento materno exclusivo é excelente, mas após os 6 meses, o ferro materno armazenado se esgota e a introdução de alimentos ricos em ferro é essencial. Clinicamente, manifesta-se por palidez, inapetência, irritabilidade e fadiga. O hemograma revela anemia microcítica e hipocrômica. O tratamento consiste na suplementação oral de ferro medicamentoso, geralmente sulfato ferroso, em doses terapêuticas. A orientação dietética é fundamental, incentivando o consumo de carnes, feijões, vegetais verde-escuros e alimentos ricos em vitamina C para otimizar a absorção de ferro. A resposta ao tratamento é monitorada por um novo hemograma após 1 mês, esperando-se um aumento da hemoglobina. A profilaxia com ferro é recomendada para lactentes em risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para anemia ferropriva em lactentes?

Os principais fatores incluem aleitamento materno exclusivo prolongado sem suplementação de ferro após os 6 meses, introdução tardia ou inadequada de alimentos ricos em ferro, baixo peso ao nascer e prematuridade.

Quais são os achados laboratoriais típicos da anemia ferropriva?

O hemograma geralmente revela anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo), com RDW que pode ser normal ou discretamente elevado. O perfil férrico confirmaria baixos níveis de ferritina, ferro sérico e alta capacidade total de ligação do ferro (TIBC).

Qual a conduta inicial para anemia ferropriva em lactentes com quadro típico?

A conduta inicial é a suplementação empírica com ferro medicamentoso, geralmente sulfato ferroso, por via oral. A dieta deve ser orientada para incluir alimentos ricos em ferro e vitamina C. O hemograma deve ser repetido em 1 mês para avaliar a resposta ao tratamento.

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