Diagnóstico Laboratorial da Anemia Ferropriva na Infância

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma criança com 6 anos de idade, moradora em zona rural, é trazida por sua mãe à Unidade Básica de Saúde (UBS) por apresentar palidez, falta de apetite, perda de peso e rendimento escolar insatisfatório observados há dois meses. Além da dosagem de hemoglobina e hematimetria, que outros exames, com seus respectivos resultados, servirão para o diagnóstico de uma anemia carencial?

Alternativas

  1. A) Morfologia das hemácias: normocítica e normocrômica; ferritina baixa; ferro sérico normal; capacidade de ligação do ferro baixa; saturação de transferrina normal.
  2. B) Morfologia das hemácias: microcítica e hipocrômica; ferritina baixa; ferro sérico baixo; capacidade de ligação do ferro elevada; saturação de transferrina baixa.
  3. C) Morfologia das hemácias: normocítica e normocrômica; ferritina normal; ferro sérico baixo; capacidade de ligação do ferro baixa; saturação de transferrina normal.
  4. D) Morfologia das hemácias: microcítica e normocrômica; ferritina baixa; ferro sérico baixo; capacidade de ligação do ferro elevada; saturação de transferrina baixa.
  5. E) Morfologia das hemácias: normocítica e hipocrômica; ferritina normal; ferro sérico normal; capacidade de ligação do ferro baixa; saturação de transferrina normal.

Pérola Clínica

VCM ↓ + HCM ↓ + Ferritina ↓ + TIBC ↑ → Anemia Ferropriva.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum na infância, apresentando-se laboratorialmente com microcitose, hipocromia e depleção dos estoques de ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é um problema de saúde pública global, especialmente em crianças em fase de crescimento rápido e mulheres em idade fértil. A fisiopatologia envolve três estágios: depleção de estoques (ferritina baixa), eritropoiese deficiente em ferro (ferro baixo e TIBC alto) e, finalmente, a anemia instalada com alterações morfológicas visíveis no hemograma. O diagnóstico diferencial com talassemias (VCM muito baixo com RDW normal) e anemia de doença crônica (ferritina normal ou alta) é essencial para o manejo correto. O tratamento baseia-se na reposição de ferro elementar (geralmente 3-5 mg/kg/dia para crianças) e correção das causas subjacentes, como dieta inadequada, parasitoses ou perdas sanguíneas ocultas.

Perguntas Frequentes

Qual o primeiro parâmetro laboratorial a se alterar na deficiência de ferro?

A ferritina sérica é o indicador mais precoce da depleção dos estoques de ferro, diminuindo significativamente antes mesmo da queda da hemoglobina ou do surgimento de alterações nos índices hematimétricos como VCM e HCM.

Por que a Capacidade Total de Ligação do Ferro (TIBC) aumenta?

O fígado aumenta a produção de transferrina em uma tentativa compensatória de captar mais ferro da dieta ou dos estoques. Como há pouco ferro disponível, a capacidade de ligação (TIBC) sobe enquanto a saturação efetiva cai.

Quais os índices hematimétricos típicos da anemia ferropriva instalada?

Observa-se redução do Volume Corpuscular Médio (VCM < 80 fL indicando microcitose) e da Hemoglobina Corpuscular Média (HCM < 27 pg indicando hipocromia), frequentemente acompanhados de aumento do RDW (anisocitose).

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