Anemia Ferropriva: Monitoramento da Resposta ao Tratamento

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022

Enunciado

Menina, 9 anos idade, de zona rural, é encaminhada ao ambulatório de referência devido à dor abdominal difusa, intermitente, moderada mas frequente, há cerca de 6 meses. Ritmo intestinal de 2 dejeções por dia, fezes formadas, às vezes quatro a cinco dejeções com fezes pastosas, nem sempre associadas à dor. Não observou sangue ou muco nas fezes. Nega náuseas. Ao interrogatório sistemático, relata tosse esporádica, seca e inapetência. Ainda não menstruou. Ao exame: regulares estados geral e nutricional; afebril, hidratada, eupneica. Mucosas descoradas (+++). Sem adenomegalias palpáveis; AR e ACV sem alterações. Abdome: plano, flácido, sem visceromegalias. Sem alterações nos demais segmentos.Traz alguns dos resultados de exames solicitados na UBS:Hemoglobina: 10,2g%; Hematócrito: 33%Leucograma: 11mil/mm3 (62% neutrófilos, 7% eosinófilos, 25% linfócitos) Contagem de hemácias: 3,6 milhões/mm³Volume Corpuscular Médio: 74 fl e Hemoglobina Corpuscular Média: 24pg RDW: 16%Plaquetas: 270mil/mm³Diante do relato acima, indique o exame complementar, disponível na Atenção Básica à Saúde, para avaliar a resposta após uma semana de realizado de tratamento da anemia, e especifique o achado esperado para evidenciar sucesso terapêutico.

Alternativas

Pérola Clínica

Anemia microcítica + eosinofilia + zona rural = Suspeita parasitose + ferropriva. Monitorar resposta ao ferro com reticulócitos.

Resumo-Chave

A menina apresenta anemia microcítica e hipocrômica com eosinofilia, em contexto de zona rural e sintomas gastrointestinais, sugerindo anemia ferropriva secundária a parasitose intestinal. Para avaliar a resposta ao tratamento com ferro, o exame mais adequado após uma semana é a contagem de reticulócitos, que deve mostrar um aumento (crise reticulocitária).

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando principalmente crianças e mulheres em idade fértil. Em crianças de zonas rurais, a prevalência é ainda maior devido à dieta inadequada e à alta incidência de parasitoses intestinais. O diagnóstico é feito com base na história clínica, exame físico (palidez de mucosas) e exames laboratoriais que revelam anemia microcítica e hipocrômica, com VCM e HCM reduzidos e RDW elevado. A eosinofilia, nesse contexto, é um forte indício de parasitose. O tratamento da anemia ferropriva consiste na suplementação oral de ferro, geralmente por um período de 3 a 6 meses para repor os estoques. É crucial monitorar a resposta ao tratamento para garantir a adesão e a eficácia. Embora a elevação da hemoglobina seja o objetivo final, ela é um indicador tardio da resposta medular. Para avaliar a resposta precoce ao tratamento, a contagem de reticulócitos é o exame mais sensível e rápido. Cerca de 5 a 10 dias após o início da suplementação de ferro, espera-se observar um aumento significativo na contagem de reticulócitos, conhecido como crise reticulocitária. Este pico indica que a medula óssea está respondendo adequadamente ao ferro e produzindo novas hemácias. A ausência de crise reticulocitária pode indicar má adesão ao tratamento, má absorção do ferro ou um diagnóstico incorreto da causa da anemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina baixa, VCM (Volume Corpuscular Médio) e HCM (Hemoglobina Corpuscular Média) diminuídos (anemia microcítica hipocrômica), RDW (Red Cell Distribution Width) elevado e, em estágios avançados, ferritina sérica baixa.

Por que a contagem de reticulócitos é o exame ideal para avaliar a resposta inicial ao tratamento da anemia ferropriva?

A contagem de reticulócitos reflete a produção de novas hemácias pela medula óssea. Após o início da suplementação de ferro, a medula óssea responde aumentando a produção, o que se manifesta como um pico de reticulócitos (crise reticulocitária) em cerca de 5 a 10 dias, antes da elevação significativa da hemoglobina.

Qual a relação entre eosinofilia e anemia em crianças de zona rural?

Em crianças de zona rural, a eosinofilia frequentemente sugere a presença de parasitoses intestinais, como ancilostomíase (verminose), que podem causar perda crônica de sangue no trato gastrointestinal e, consequentemente, levar à anemia ferropriva.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo