USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem, 65 anos, realizou hemograma completo para investigação de fraqueza generalizada. Hb: 7,6 g/dL (VN:13,9-17,7); VCM: 72 fL (VN:80,1- 95,3); HCM: 21 pg (VN:27,6- 33,2); RDW: 19% (VN:11,5-14,7); Gb: 5.300/uL (VN:3.800-10.300) e Plaquetas: 742.000/uL (VN:166.000-389.000). Qual é o exame mais indicado?
Anemia microcítica hipocrômica + RDW ↑ + trombocitose → investigar deficiência de ferro com ferritina.
A apresentação de anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), com RDW elevado e trombocitose, é altamente sugestiva de anemia ferropriva. A dosagem da ferritina sérica é o exame mais indicado para confirmar a deficiência de ferro, refletindo os estoques corporais de ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando uma parcela significativa da população, especialmente mulheres em idade fértil e idosos. Caracteriza-se por uma produção insuficiente de hemoglobina devido à falta de ferro, essencial para a síntese do heme. Clinicamente, manifesta-se por fraqueza, fadiga, palidez e, em casos graves, dispneia e angina. O diagnóstico laboratorial baseia-se no hemograma, que tipicamente revela anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), com anisocitose (RDW elevado). A trombocitose reacional é um achado comum e pode ser um indicativo importante. A dosagem da ferritina sérica é o exame mais confiável para avaliar os estoques de ferro, sendo o primeiro passo na investigação. Níveis baixos de ferritina confirmam a deficiência, enquanto níveis normais ou elevados em um contexto de anemia microcítica podem sugerir anemia de doença crônica ou talassemia. Uma vez diagnosticada a anemia ferropriva, é crucial investigar a causa subjacente da deficiência de ferro, especialmente em homens e mulheres pós-menopausa, onde a perda sanguínea gastrointestinal é uma etiologia comum. O tratamento envolve a reposição de ferro e o manejo da causa primária, visando a normalização dos parâmetros hematológicos e a restauração dos estoques de ferro.
A anemia ferropriva clássica apresenta hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos (anemia microcítica hipocrômica), RDW elevado (anisocitose) e, frequentemente, trombocitose reacional. A ferritina sérica estará baixa, confirmando a deficiência de ferro.
A trombocitose na anemia ferropriva é reacional. A deficiência de ferro pode estimular a produção de eritropoietina, que, por sua vez, pode ter um efeito estimulatório sobre a megacariopoiese, levando ao aumento do número de plaquetas.
A ferritina sérica é o principal marcador dos estoques de ferro do corpo. Níveis baixos de ferritina são altamente específicos para deficiência de ferro. Em casos de inflamação, a ferritina pode estar falsamente normal ou elevada, mesmo com deficiência de ferro, exigindo a avaliação de outros parâmetros como saturação de transferrina.
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