Anemia Ferropriva: Diagnóstico e Marcadores Laboratoriais

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 68 anos de idade compareceu à consulta com queixa de fadiga progressiva e palidez. Refere história de Hemorroidas Ao exame físico, apresentou FC-100 bpm, FR 18 irpm, SatO2 97%. O hemograma realizado mostrou Hb 9,2 g/dL, VCM 70 L e ferritina 10 pg/ml. Qual é o principal diagnóstico nesse caso?

Alternativas

  1. A) Anemia hemolítica
  2. B) Anemia por doença crónica
  3. C) Deficiência de vitamina B12
  4. D) Anemia ferropriva.

Pérola Clínica

Hb ↓ + VCM ↓ + Ferritina < 30 ng/mL = Anemia Ferropriva.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é caracterizada por microcitose e hipocromia, sendo a ferritina baixa o marcador mais específico para depleção de estoques de ferro. Em idosos, a perda gastrointestinal é a causa principal.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva representa a deficiência nutricional mais comum no mundo e é a principal causa de anemia microcítica. Fisiopatologicamente, ocorre um desequilíbrio onde a demanda ou perda de ferro excede a absorção, levando à depleção progressiva dos estoques (ferritina baixa), seguida de eritropoiese deficiente em ferro e, finalmente, anemia com hemácias pequenas (VCM baixo) e pálidas (HCM baixo). No paciente idoso, como no caso clínico, a presença de sintomas como fadiga e palidez associados a um perfil laboratorial de microcitose e ferritina muito baixa (10 pg/ml) confirma o diagnóstico. A história de hemorroidas fornece uma fonte potencial de perda sanguínea, mas não exclui a necessidade de rastreio para malignidades ocultas. O tratamento envolve a reposição de ferro (oral ou parenteral) e, crucialmente, o tratamento da causa base do sangramento.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar anemia ferropriva de anemia de doença crônica?

A diferenciação entre anemia ferropriva e anemia de doença crônica (ADC) é um desafio comum, pois ambas podem ser microcíticas. O marcador fundamental é a ferritina. Na anemia ferropriva, os estoques de ferro estão exauridos, resultando em ferritina invariavelmente baixa (geralmente < 30 ng/mL). Já na ADC, a ferritina atua como um reagente de fase aguda e costuma estar normal ou elevada, refletindo o sequestro de ferro nos macrófagos mediado pela hepcidina, apesar da baixa disponibilidade de ferro sérico para a eritropoiese. Outros parâmetros úteis incluem a Capacidade Total de Ligação do Ferro (TIBC), que está aumentada na ferropriva e reduzida na ADC, e o Índice de Saturação da Transferrina, que está baixo em ambas.

Qual a importância da ferritina no diagnóstico de anemia?

A ferritina sérica é o parâmetro laboratorial mais sensível e específico para identificar a deficiência de ferro antes mesmo do desenvolvimento da anemia. Ela reflete diretamente os estoques corporais de ferro. Valores abaixo de 30 ng/mL são altamente sugestivos de ferropenia. No entanto, sua interpretação deve ser cautelosa em pacientes com processos inflamatórios, infecciosos, neoplasias ou doenças hepáticas, pois a ferritina é uma proteína de fase aguda e pode estar falsamente normal ou elevada mesmo na presença de deficiência de ferro real. Nesses casos, outros marcadores como o receptor solúvel da transferrina podem ser necessários.

Por que investigar o trato gastrointestinal em idosos com anemia ferropriva?

Em adultos homens e mulheres pós-menopausa, a causa mais comum de anemia ferropriva é a perda crônica de sangue, frequentemente pelo trato gastrointestinal. Mesmo que o paciente apresente queixas óbvias como hemorroidas, é imperativo investigar outras fontes de sangramento oculto, como pólipos, angiodisplasias ou neoplasias colorretais e gástricas. A anemia ferropriva em um idoso deve ser considerada um sinal de alerta para câncer gastrointestinal até que se prove o contrário. Portanto, a realização de endoscopia digestiva alta e colonoscopia é frequentemente indicada como parte da investigação etiológica padrão nesses pacientes.

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