Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Criança de 2 anos de idade, sexo masculino, é levada a uma consulta pediátrica por apresentar palidez cutâneo mucosa. No exame físico, criança com bom estado geral, hipocorado ++/4, frequência cardíaca 92 bpm, sopro sistólico II/VI BEE, frequência respiratória 29 irpm, ausência de visceromegalia palpável. Hemograma realizado mostrou: hemoglobina 7g/dl; volume corpuscular médio (VCM) de 60 fL; global de leucócitos de 5400 mm³, 45% de neutrófilos, 45% de linfócitos, 5% de eosinófilos e 5% de monócitos; plaquetas de 400.000mm³; reticulócitos de 1%. Diante desse caso, marque qual a MELHOR conduta dentre as alternativas a seguir.
Anemia microcítica + hipoproliferativa + bom estado geral → Reposição de ferro VO.
A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia na infância. O tratamento inicial em pacientes estáveis é a reposição de ferro elementar via oral (3-6 mg/kg/dia).
A anemia ferropriva é caracterizada por uma deficiência nos estoques de ferro, levando a uma eritropoiese ineficaz. No hemograma, manifesta-se tipicamente como anemia microcítica e hipocrômica com RDW elevado e reticulocitopenia. Em crianças de 2 anos, a principal causa é a ingestão dietética inadequada associada ao consumo excessivo de leite de vaca. O diagnóstico diferencial inclui a talassemia minor (onde o RDW costuma ser normal e o número de hemácias elevado) e a anemia de doença crônica. O manejo ambulatorial com ferro oral é o padrão-ouro, visando não apenas a correção da hemoglobina, mas a restauração dos estoques corporais de ferro.
A dose terapêutica recomendada para o tratamento da anemia ferropriva em crianças varia de 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar, dividida em uma ou duas tomadas, preferencialmente longe das refeições para otimizar a absorção, embora a administração com alimentos possa ser necessária se houver intolerância gástrica significativa.
A transfusão de concentrado de hemácias na anemia ferropriva é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica, insuficiência cardíaca descompensada ou níveis de hemoglobina extremamente baixos (geralmente < 5 g/dL) com sinais de má perfusão, priorizando-se sempre a reposição oral em pacientes estáveis.
A resposta inicial é observada pelo aumento do índice de reticulócitos (pico entre 5 a 10 dias). Posteriormente, espera-se uma elevação da hemoglobina em cerca de 1 g/dL a cada 2-3 semanas. O tratamento deve continuar por 2 a 4 meses após a normalização da hemoglobina para repor os estoques de ferro.
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