HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020
Paciente 42 anos, sexo masculino, história pregressa de cirurgia de sleeve gástrico (gastrectomia vertical) há 2 anos, com perda ponderal de 45 kg no mesmo período de tempo, queixando-se de fadiga, intolerância ao exercício, sonolência. Ao exame físico, conjuntivas pálidas, unhas quebradiças em formato de colher. Laboratório: ferro sérico 35 mcg/dL (referência 65 a 175 mcg/dL) e ferritina 12 ng/ml (22,0 a 322,0 ng/mL). Com base no caso acima, qual a principal hipótese diagnóstica e o tratamento mais indicado?
Anemia ferropênica pós-sleeve gástrico → suplementação com sais de ferro de alta absorção (fumarato/gluconato).
Pacientes submetidos a cirurgia bariátrica, especialmente o sleeve gástrico, têm alto risco de deficiências nutricionais, incluindo ferro, devido à redução da área de absorção e alterações no pH gástrico. A anemia ferropênica é comum e manifesta-se com fadiga, palidez e coiloníquia. O tratamento envolve a reposição de ferro elementar, preferencialmente com sais de maior biodisponibilidade.
A anemia ferropênica é uma das complicações nutricionais mais frequentes após cirurgias bariátricas, como o sleeve gástrico, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Sua prevalência é alta devido à redução da área de absorção gástrica e intestinal, além de alterações no pH que afetam a solubilidade e absorção do ferro. É crucial que estudantes e residentes estejam cientes dessa complicação para um manejo adequado. O diagnóstico baseia-se em sintomas como fadiga, palidez, intolerância ao exercício e sinais como coiloníquia, confirmados por exames laboratoriais que mostram ferro sérico e ferritina baixos. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente pós-bariátrica com esses sintomas, mesmo anos após o procedimento. A fisiopatologia envolve a diminuição da secreção ácida gástrica, essencial para a conversão do ferro férrico em ferro ferroso, forma mais absorvível. O tratamento consiste na reposição de ferro elementar. É fundamental escolher a formulação correta, dando preferência a sais de ferro com maior biodisponibilidade, como o fumarato ferroso ou gluconato ferroso, em doses de 120 a 180 mg/dia de ferro elementar. A vitamina C pode ser coadministrada para melhorar a absorção. Em casos de má resposta oral ou intolerância, a via intravenosa deve ser considerada.
Os pacientes podem apresentar fadiga, intolerância ao exercício, sonolência, palidez de mucosas e unhas quebradiças em formato de colher (coiloníquia), entre outros.
O sleeve gástrico reduz a capacidade do estômago e pode alterar a acidez gástrica, fatores que comprometem a absorção de ferro, especialmente o ferro não-heme, que requer um ambiente ácido para ser absorvido.
Sais de ferro com maior biodisponibilidade, como fumarato ferroso e gluconato ferroso, são preferíveis ao sulfato ferroso, que pode ter absorção reduzida nesses pacientes. A vitamina C pode ser coadministrada para otimizar a absorção.
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