Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2023
Paciente portador de anemia falciforme, qual seria a melhor escolha de tratamento?
Anemia falciforme + deficiência de ferro → Reposição de sulfato ferroso.
Embora a anemia falciforme seja uma anemia hemolítica crônica que geralmente não cursa com deficiência de ferro (e sim com sobrecarga em alguns casos), se houver uma deficiência de ferro coexistente (o que pode ocorrer por sangramentos ou má absorção), a reposição de sulfato ferroso seria a escolha. No entanto, o tratamento padrão da anemia falciforme foca em ácido fólico, hidroxiureia e manejo de crises.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária caracterizada pela produção de hemoglobina S, que polimeriza em condições de hipóxia, causando a deformação dos eritrócitos em forma de foice. Isso leva a uma anemia hemolítica crônica e a eventos vaso-oclusivos dolorosos, além de danos a múltiplos órgãos. O tratamento é complexo e visa principalmente a prevenção de crises e complicações, bem como o manejo sintomático. O tratamento de base para a anemia falciforme inclui a suplementação de ácido fólico, essencial para a eritropoiese acelerada, e a hidroxiureia, que aumenta a produção de hemoglobina fetal (HbF), reduzindo a polimerização da HbS e a frequência de crises. Transfusões sanguíneas são indicadas em situações específicas, como crises agudas graves, prevenção de AVC em crianças e antes de cirurgias. A reposição de sulfato ferroso, embora seja o tratamento para anemias ferroprivas, não é uma conduta rotineira na anemia falciforme. Na verdade, devido à hemólise crônica e às múltiplas transfusões, pacientes falciformes frequentemente desenvolvem sobrecarga de ferro, que requer tratamento com quelantes. A suplementação de ferro só deve ser considerada se houver evidência laboratorial clara de deficiência de ferro, que pode ocorrer por sangramentos crônicos (ex: úlceras, menorragia) ou outras causas, mas nunca de forma empírica.
O tratamento padrão da anemia falciforme inclui a suplementação de ácido fólico para suportar a eritropoiese aumentada, hidroxiureia para reduzir a frequência de crises vaso-oclusivas e síndrome torácica aguda, e manejo de suporte para as complicações.
A reposição de sulfato ferroso só é indicada em pacientes com anemia falciforme que apresentem deficiência de ferro comprovada laboratorialmente, o que pode ocorrer devido a sangramentos crônicos ou outras causas, mas não é uma prática rotineira devido ao risco de sobrecarga de ferro.
A sobrecarga de ferro, comum devido a múltiplas transfusões, pode levar a danos em órgãos como coração, fígado e glândulas endócrinas. O tratamento envolve quelação de ferro para prevenir essas complicações.
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