CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
O tratamento de paciente com anemia falciforme que necessite cirurgia retiniana deve incluir:
Cirurgia em falciforme → Oxigênio suplementar (48h) + Evitar inibidores da anidrase carbônica.
O manejo perioperatório visa prevenir a falcização das hemácias, que é desencadeada por hipóxia, acidose e hemoconcentração, podendo levar à isquemia catastrófica do segmento anterior.
A retinopatia falciforme proliferativa é uma complicação grave que pode levar ao descolamento de retina tracional ou regmatogênico. O tratamento cirúrgico é desafiador devido à fragilidade vascular e ao risco de isquemia. Além da oxigenioterapia, o manejo inclui hidratação vigorosa para evitar hemoconcentração e, em alguns casos, exsanguíneo-transfusão pré-operatória para reduzir os níveis de HbS para menos de 30%. Durante a vitrectomia, deve-se manter a pressão intraocular em níveis fisiológicos, evitando picos hipertensivos que reduzam a pressão de perfusão ocular. O uso de anestesia local com epinefrina também deve ser evitado para prevenir vasoconstrição local. O objetivo primordial é manter o fluxo sanguíneo e a oxigenação tecidual constantes para evitar a cascata de falcização intraocular.
Pacientes com anemia falciforme (especialmente genótipos SS e SC) correm alto risco de crises vaso-oclusivas sistêmicas e oculares sob condições de estresse cirúrgico. A hipóxia é o principal gatilho para a polimerização da hemoglobina S e consequente falcização das hemácias. A suplementação de oxigênio por 48 horas após a cirurgia ajuda a manter a saturação arterial elevada, reduzindo a probabilidade de oclusões vasculares na microcirculação ocular e prevenindo a isquemia do segmento anterior.
Inibidores da anidrase carbônica (como acetazolamida e dorzolamida) devem ser evitados. Eles promovem acidose sistêmica e local, além de aumentar a concentração de sódio e a osmolaridade no humor aquoso, o que induz a desidratação das hemácias e acelera o processo de falcização. Agonistas alfa-adrenérgicos (como a brimonidina) também devem ser usados com cautela devido ao seu potencial efeito vasoconstritor, que pode reduzir ainda mais a perfusão tecidual.
O uso de introflexão escleral (buckle) em pacientes falciformes é particularmente arriscado. O aperto excessivo da banda ou o uso de buckles muito largos pode comprometer o fluxo das artérias ciliares anteriores e das veias vorticosas. Em um olho já propenso a oclusões microvasculares, isso pode desencadear uma isquemia grave do segmento anterior, caracterizada por edema corneano, reação de câmara anterior, atrofia de íris e catarata súbita.
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