Anemia Falciforme e Febre Pediátrica: Manejo Essencial

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015

Enunciado

Menino de dois anos e seis meses, com diagnóstico de Anemia Falciforme (SS) no teste do pezinho (triagem neonatal), dá entrada na Unidade de pronto atendimento (UPA) com queixa de febre (38°C) há quatro dias, coriza hialina, tosse seca, inapetência e prostração. Ao exame físico não são observadas alterações que indiquem foco infeccioso ou instabilidade hemodinâmica. De acordo com o Manual de Eventos Agudos em Anemia Falciforme de 2009 publicado pelo Ministério da Saúde do Brasil, a conduta MAIS ADEQUADA nesse caso será:

Alternativas

  1. A) Alta com prescrição de amoxicilina oral.
  2. B) Alta com reavaliação em 48 horas.
  3. C) Internação hospitalar com prescrição de ampicilina venosa.
  4. D) Internação hospitalar para observação por 48 horas.

Pérola Clínica

Anemia Falciforme + febre em criança < 5 anos → Internação + ATB IV empírico (ampicilina).

Resumo-Chave

Crianças com Anemia Falciforme, especialmente menores de 5 anos, apresentam alto risco de sepse por germes encapsulados (pneumococo, Haemophilus). Mesmo sem foco aparente, a febre é uma emergência e exige internação e antibioticoterapia empírica venosa imediata para prevenir desfechos graves.

Contexto Educacional

A Anemia Falciforme (AF) é uma hemoglobinopatia hereditária que afeta milhões globalmente, sendo a doença monogênica mais comum no Brasil. Caracteriza-se pela produção de hemoglobina S, que polimeriza em condições de hipóxia, levando à falcização das hemácias, hemólise crônica e vaso-oclusão. A triagem neonatal via teste do pezinho é fundamental para o diagnóstico precoce e início da profilaxia e acompanhamento. A febre em crianças com Anemia Falciforme, especialmente menores de 5 anos, é considerada uma emergência médica. Devido à asplenia funcional precoce, esses pacientes têm um risco significativamente aumentado de infecções invasivas graves, principalmente por bactérias encapsuladas como Streptococcus pneumoniae. A ausência de um foco infeccioso claro no exame físico não exclui a possibilidade de sepse oculta, que pode progredir rapidamente para choque séptico e óbito. O manejo da febre em crianças com AF exige internação hospitalar imediata e início de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, como ampicilina ou ceftriaxona, após coleta de hemoculturas. A observação isolada ou a alta com antibiótico oral são condutas inadequadas e perigosas. A profilaxia com penicilina oral e vacinação completa são medidas preventivas cruciais para reduzir a incidência dessas infecções.

Perguntas Frequentes

Por que a febre é uma emergência em crianças com Anemia Falciforme?

A febre em crianças com Anemia Falciforme é uma emergência devido ao alto risco de sepse fulminante por germes encapsulados, como o Streptococcus pneumoniae, em decorrência da asplenia funcional.

Qual a conduta inicial para febre em pacientes pediátricos com Anemia Falciforme?

A conduta inicial é a internação hospitalar imediata e o início de antibioticoterapia empírica intravenosa, geralmente com ampicilina ou ceftriaxona, após coleta de culturas, mesmo na ausência de foco infeccioso aparente.

Quais são os principais patógenos a serem cobertos na antibioticoterapia empírica?

Os principais patógenos a serem cobertos são bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo b e, em menor grau, Salmonella spp., devido à asplenia funcional e ao risco de osteomielite.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo