UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025
Menina de 9 anos, previamente diagnosticada com anemia falciforme, é levada ao pronto-socorro apresentando dor intensa em pernas e braços, de início há 1 dia. A mãe refere que a criança tem apresentado episódios semelhantes nos últimos meses, mas este episódio atual é mais intenso. Nega outras queixas ou doenças concomitantes. A criança não utiliza medicações contínuas, além de ácido fólico. Tem histórico de internações prévias por crises álgicas e já recebeu transfusões de sangue em outras ocasiões. Ao exame físico, a criança apresenta febre de 37,8°C e palidez, e observa-se leve icterícia conjuntival e sensibilidade à palpação nos membros. Qual a principal alteração fisiopatológica subjacente à crise álgica apresentada pela criança?
Anemia falciforme: Crise álgica = oclusão microvascular por hemácias falcizadas em hipóxia.
A crise álgica na anemia falciforme é causada pela oclusão microvascular. Sob condições de baixa oxigenação, a hemoglobina S (HbS) polimeriza-se, deformando as hemácias em forma de foice, que se tornam rígidas e aderem ao endotélio, bloqueando o fluxo sanguíneo e causando isquemia tecidual e dor intensa.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia genética de herança autossômica recessiva, caracterizada pela presença de hemoglobina S (HbS), que confere às hemácias uma forma de foice sob condições de baixa oxigenação. É uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil e no mundo, com alta morbimortalidade, sendo as crises álgicas a principal causa de hospitalização e sofrimento para os pacientes. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para residentes. A fisiopatologia da crise álgica é central para a compreensão da doença. Em ambientes de hipóxia, a HbS polimeriza-se, formando longos filamentos que distorcem a hemácia, tornando-a rígida e aderente ao endotélio vascular. Essas hemácias falciformes obstruem os pequenos vasos sanguíneos (microcirculação), levando à isquemia, infarto tecidual e dor intensa. O diagnóstico é clínico, baseado na história de dor súbita e intensa em pacientes com anemia falciforme, e a suspeita deve ser alta em qualquer episódio de dor inexplicável. O tratamento da crise álgica visa o alívio da dor, hidratação e oxigenação. Analgésicos potentes, como opioides, são frequentemente necessários. A hidratação intravenosa ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo e reduzir a viscosidade. A oxigenoterapia é indicada se houver hipoxemia. O prognóstico a longo prazo depende do manejo das complicações crônicas, como danos orgânicos e infecções. É vital que o residente compreenda a urgência e a complexidade do manejo da dor nestes pacientes.
Os gatilhos comuns incluem desidratação, infecções, exposição ao frio, estresse físico ou emocional, e condições de baixa oxigenação, que favorecem a polimerização da hemoglobina S dentro das hemácias, levando à sua deformação e à vaso-oclusão.
Em condições de baixa tensão de oxigênio, a hemoglobina S polimeriza-se dentro da hemácia, formando agregados rígidos que distorcem a célula, transformando-a na característica forma de foice. Essas hemácias falciformes perdem sua flexibilidade e se tornam mais propensas a obstruir os microvasos.
A crise álgica é a manifestação mais comum, decorrente da vaso-oclusão e isquemia. Outras complicações incluem síndrome torácica aguda, acidente vascular cerebral, sequestro esplênico e priapismo, todas relacionadas à oclusão vascular, hemólise crônica ou disfunção orgânica secundária à doença.
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