Anemia Falciforme: Crise de Sequestro Esplênico e Manejo

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à anemia falciforme, marque a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A presença de neutrofilia crônica, história de sequestro esplênico, aumenta a morbidade e reduz a sobrevida.
  2. B) Com frequência os pacientes têm perda da função esplênica, o que aumenta a suscetibilidade para infecções, principalmente para o pneumococo.
  3. C) A crise do sequestro esplênico ocorre por obstrução arterial aguda do baço, causando isquemia e atrofia do baço, assim como dor súbita no hipocôndrio direito.
  4. D) As crises álgicas devem ser tratadas com hidratação vigorosa, investigação de fatores desencadeantes, como infecções e analgesia agressiva.

Pérola Clínica

Crise sequestro esplênico = acúmulo de sangue no baço (hipocôndrio ESQUERDO), não isquemia arterial.

Resumo-Chave

A crise de sequestro esplênico na anemia falciforme é caracterizada pelo aprisionamento agudo de hemácias no baço, levando a esplenomegalia súbita e hipovolemia, com dor no hipocôndrio esquerdo. Não é causada por obstrução arterial isquêmica, mas sim por obstrução venosa e acúmulo.

Contexto Educacional

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária grave, caracterizada pela produção de hemoglobina S, que polimeriza em condições de hipóxia, levando à deformação dos eritrócitos em forma de foice. Essa alteração causa hemólise crônica, vaso-oclusão e disfunção orgânica progressiva. A doença cursa com diversas complicações, sendo as crises álgicas e as infecções as mais comuns, impactando significativamente a morbidade e a sobrevida dos pacientes. A crise de sequestro esplênico é uma complicação aguda grave, especialmente em crianças pequenas, caracterizada pelo aprisionamento maciço de hemácias no baço, resultando em esplenomegalia súbita, hipovolemia e anemia profunda. Diferente do infarto esplênico, que é isquêmico e causa atrofia, o sequestro é um acúmulo sanguíneo que leva ao aumento do órgão e dor no hipocôndrio esquerdo. A autoesplenectomia funcional, comum em pacientes mais velhos, aumenta a suscetibilidade a infecções por germes encapsulados, como o pneumococo. O manejo da anemia falciforme exige uma abordagem multidisciplinar. As crises álgicas demandam hidratação, analgesia e busca por fatores desencadeantes. A prevenção de infecções é crucial, com vacinação e profilaxia antibiótica. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado das complicações agudas, como a crise de sequestro esplênico (que pode necessitar de transfusão sanguínea e, em casos recorrentes, esplenectomia), são fundamentais para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de uma crise de sequestro esplênico?

Os sinais incluem palidez súbita, fraqueza, taquicardia, esplenomegalia dolorosa (no hipocôndrio esquerdo) e queda abrupta dos níveis de hemoglobina, podendo evoluir para choque hipovolêmico.

Por que pacientes com anemia falciforme são mais suscetíveis a infecções?

Devido à autoesplenectomia funcional que ocorre precocemente na doença, há uma perda da função imune do baço, tornando os pacientes mais vulneráveis a infecções por bactérias encapsuladas, como o Streptococcus pneumoniae.

Qual o tratamento inicial para uma crise álgica na anemia falciforme?

O tratamento inicial envolve hidratação vigorosa para reverter a desidratação e melhorar o fluxo sanguíneo, analgesia agressiva com opioides se necessário, e investigação e tratamento de fatores desencadeantes como infecções.

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