Anemia Falciforme e AVC: Prevenção de Recorrência

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 17 anos, com anemia falciforme, apresenta início súbito de hemiparesia esquerda. História de crises álgicas frequentes e síndrome torácica aguda. Faz uso contínuo de ácido fólico, hidroxiureia e analgésicos. Ao exame físico, Tax 36,8°C, PA 160/85 mmHg, FC 108 bpm, FR 22 mrpm. Exame neurológico: paresia em hemicorpo esquerdo e afasia. Hemograma revela Hb 8.7 g/dL, leucócitos 16.000/mm³ e contagem de plaquetas de 400.000/mm³. Ressonância magnética de encéfalo revela infarto agudo no território da artéria cerebral média direita. Qual é a melhor abordagem para prevenir novos eventos isquêmicos nessa paciente?

Alternativas

  1. A) Indicar esplenectomia
  2. B) Uso contínuo de anticoagulação
  3. C) Plasmaférese periódica
  4. D) Exsanguineotransfusão periódica

Pérola Clínica

AVC em anemia falciforme → exsanguineotransfusão periódica para prevenir recorrência.

Resumo-Chave

Pacientes com anemia falciforme têm alto risco de AVC isquêmico devido à vasculopatia e oclusão microvascular. Após um primeiro evento, a exsanguineotransfusão periódica é a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de recorrência, mantendo a hemoglobina S abaixo de 30%.

Contexto Educacional

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária que predispõe a uma série de complicações, incluindo o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, que é uma das causas mais devastadoras de morbidade e mortalidade, especialmente em crianças e adolescentes. A fisiopatologia envolve a polimerização da hemoglobina S em condições de hipóxia, acidose ou desidratação, levando à falcização dos eritrócitos. Essas células rígidas e aderentes causam oclusão microvascular e danos à parede dos vasos, resultando em vasculopatia cerebral progressiva e trombose. O diagnóstico de AVC em pacientes com anemia falciforme requer alta suspeição clínica e confirmação por neuroimagem, como a ressonância magnética. Após um primeiro evento isquêmico, a prevenção secundária é crucial para evitar recorrências, que são comuns e podem levar a déficits neurológicos cumulativos. A exsanguineotransfusão periódica é considerada a terapia de escolha para a prevenção secundária de AVC em pacientes com anemia falciforme, com o objetivo de manter a hemoglobina S abaixo de 30% e a hemoglobina total entre 10-12 g/dL. Embora a hidroxiureia seja uma terapia modificadora da doença que reduz a frequência de crises álgicas e síndrome torácica aguda, sua eficácia na prevenção secundária de AVC não é tão robusta quanto a da exsanguineotransfusão. A decisão de iniciar a exsanguineotransfusão deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios, e o monitoramento regular da velocidade do fluxo sanguíneo nas artérias cerebrais por Doppler transcraniano é fundamental para identificar pacientes de alto risco antes mesmo do primeiro evento.

Perguntas Frequentes

Qual o risco de AVC em pacientes com anemia falciforme?

Pacientes com anemia falciforme, especialmente crianças e adolescentes, têm um risco significativamente elevado de AVC isquêmico devido à vasculopatia cerebral e à oclusão de vasos por hemácias falcizadas.

Como a exsanguineotransfusão periódica previne o AVC na anemia falciforme?

A exsanguineotransfusão periódica reduz a concentração de hemoglobina S (HbS) para níveis abaixo de 30%, diminuindo a viscosidade sanguínea, melhorando o fluxo e prevenindo a falcização e oclusão dos vasos cerebrais.

Qual o papel da hidroxiureia na prevenção do AVC em anemia falciforme?

A hidroxiureia aumenta a produção de hemoglobina fetal (HbF), que inibe a falcização. Embora seja importante na redução de crises álgicas e síndrome torácica aguda, sua eficácia na prevenção secundária de AVC é inferior à exsanguineotransfusão.

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