Anemia Falciforme: Riscos Infecciosos em Pediatria

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Criança do sexo masculino, com três anos de idade e que apresenta anemia falciforme, é levado pela mãe à consulta na Unidade Básica de Saúde porque está tendo febre há quatro dias, chegando a 39°C. Apresenta tosse produtiva que aumentou de intensidade. Encontra-se em estado geral de prostração e a mãe notou que a criança está mais pálida e ictérica nos últimos dias. O pediatra encaminhou a criança de imediato para o hospital de referência, considerando que:

Alternativas

  1. A) As infecções são as complicações mais frequentes na anemia falciforme, acompanhadas de esplenomegalia que se acentua após os cinco anos de idade.
  2. B) A importância das infecções como complicações na anemia falciforme, deve-se à maior susceptibilidade à bactéria Salmonella na faixa etária abaixo dos cinco anos.
  3. C) A mortalidade entre crianças falcêmicas menores de cinco anos é elevada, sendo as complicações mais frequentes as infecções por Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e por pneumococo.
  4. D) As infecções são as complicações mais frequentes, e o uso de profilaxia com penicilina é contraindicado pelos riscos de aumento da taxa de colonização por cepas de pneumococos resistentes.
  5. E) As infecções são as complicações mais frequentes, o que leva à necessidade de profilaxia com penicilina, recomendada do momento do diagnóstico da anemia falciforme e mantida por toda a vida.

Pérola Clínica

Febre em falcêmicos <5 anos → Risco de sepse por germes encapsulados (Pneumococo/Hib).

Resumo-Chave

A asplenia funcional precoce na anemia falciforme predispõe a infecções graves por bactérias encapsuladas, sendo a principal causa de óbito em menores de 5 anos.

Contexto Educacional

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia crônica onde a substituição do ácido glutâmico pela valina na posição 6 da cadeia beta da globina gera a Hemoglobina S. Em condições de hipóxia, essa hemoglobina polimeriza, deformando a hemácia em foice. Na pediatria, o manejo foca na prevenção de complicações agudas. A febre em um paciente falcêmico é sempre uma emergência médica, exigindo avaliação imediata, culturas e, frequentemente, antibioticoterapia empírica de amplo espectro, dada a velocidade com que a sepse pneumocócica pode evoluir para o óbito.

Perguntas Frequentes

Por que crianças com anemia falciforme são mais suscetíveis a infecções?

A suscetibilidade ocorre devido à asplenia funcional, que se desenvolve precocemente (geralmente nos primeiros meses de vida) devido a microinfartos esplênicos repetidos causados pela foicização das hemácias. O baço é fundamental para a opsonização e remoção de bactérias encapsuladas da circulação. Sem um baço funcional, o organismo não consegue combater eficientemente patógenos como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae tipo b, levando a quadros de sepse fulminante.

Qual a conduta profilática padrão para estas crianças?

A conduta padrão inclui a vacinação rigorosa contra germes encapsulados (Pneumococo, Meningococo e Hib) e o uso de profilaxia com penicilina oral ou benzatina. A antibioticoprofilaxia deve ser iniciada idealmente até os 3 meses de idade e mantida, no mínimo, até os 5 anos de idade, período de maior risco para infecções invasivas graves.

Como diferenciar crise aplástica de sequestro esplênico?

A crise aplástica é caracterizada por queda súbita da hemoglobina com reticulocitopenia (geralmente após infecção por Parvovírus B19). Já o sequestro esplênico apresenta queda da hemoglobina acompanhada de reticulocitose e aumento agudo do volume do baço, indicando aprisionamento de sangue no parênquima esplênico.

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