SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menino, 8 meses de vida, é conduzido à UBS com história de palidez, irritabilidade e dificuldade para ganhar peso. Tem ficado mais cansado durante as mamadas e, nas últimas semanas, surgiram manchas arroxeadas em seus braços e pernas. O exame físico mostra criança ativa, com palidez intensa e hepatoesplenomegalia. Considerando os exames laboratoriais: Hemoglobina: 7 g/dL; Hematócrito: 20%; Reticulócitos: 10%; Bilirrubina Indireta: 3 mg/dL. Indique o exame que confirmará a principal suspeita diagnóstica no caso descrito:
Palidez + Hepatoesplenomegalia + Reticulocitose em lactente → Pensar em Hemoglobinopatias (HbS).
O teste de solubilidade detecta a presença de hemoglobina S (HbS), que precipita em condições de hipóxia, sendo um método rápido para triagem de anemia falciforme em quadros hemolíticos.
A anemia falciforme é uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil, caracterizada pela substituição do ácido glutâmico pela valina na cadeia beta da hemoglobina. Em lactentes, os sintomas costumam surgir após os 6 meses de vida, coincidindo com a queda da hemoglobina fetal (HbF) e aumento da HbS. O quadro clínico de palidez, irritabilidade e dificuldade de ganho ponderal, associado a sinais de hemólise (icterícia e reticulocitose), deve sempre levantar a suspeita de hemoglobinopatias. O manejo inicial envolve o diagnóstico precoce, muitas vezes realizado pelo Teste do Pezinho, mas em casos sintomáticos sem triagem prévia, o teste de solubilidade ou a eletroforese de hemoglobina são fundamentais. A presença de hepatoesplenomegalia em um paciente com anemia hemolítica sugere que o processo é crônico e envolve o sistema reticuloendotelial, diferenciando-se de anemias carenciais simples.
O teste de solubilidade é um exame de triagem utilizado para detectar a presença de hemoglobina S (HbS). Ele se baseia no princípio de que a HbS, quando desoxigenada por um agente redutor (como o ditionito de sódio), torna-se insolúvel e precipita, deixando a solução turva. É um teste qualitativo rápido, mas não diferencia o traço falciforme da doença falciforme (homozigose), sendo necessária a eletroforese de hemoglobina para confirmação definitiva e tipificação.
Nos primeiros meses de vida, a esplenomegalia ocorre devido ao sequestro esplênico e à congestão do sistema reticuloendotelial pela destruição crônica de hemácias falciformadas. Com o tempo, os episódios repetidos de infarto esplênico levam à fibrose e autoesplenectomia (geralmente até os 5 anos). A hepatomegalia reflete tanto a hemólise crônica quanto a eritropoiese extramedular compensatória diante da anemia grave.
A reticulocitose (10% no caso) indica uma resposta medular robusta à anemia, confirmando que a medula óssea está tentando compensar a perda periférica de hemácias. Isso direciona o diagnóstico para causas hemolíticas ou hemorrágicas agudas, descartando causas de hipoplasia medular ou deficiências nutricionais graves (como ferro ou B12) onde os reticulócitos estariam baixos ou normais.
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