Anemia Falciforme em Crianças: Diagnóstico e Sinais Chave

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2015

Enunciado

Lara, 3 anos, tem queixas de dor em membros inferiores, principalmente após quadros infecciosos. A mãe reclama que a filha tem uma anemia que nunca melhora, mesmo com uso de sulfato ferroso há meses. Ao exame físico: palidez, fígado a 1 cm do rebordo costal direito, baço não palpável. Exames laboratoriais: Hematócrito = 23%; hemoglobina = 7,8 g/dl; reticulócitos: 6%; ferritina: 88; hematoscopia: normocitose, normocromia, e hemácias em foice. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Anemia de Fanconi.
  2. B) Talassemia.
  3. C) Anemia falciforme.
  4. D) Anemia megaloblástica.
  5. E) Esferocitose Hereditária.

Pérola Clínica

Criança com anemia crônica, dor recorrente e hemácias em foice → Anemia Falciforme.

Resumo-Chave

O quadro clínico de uma criança com anemia crônica, crises de dor (vaso-oclusivas) após infecções, reticulocitose e a presença de hemácias em foice na hematoscopia são patognomônicos da anemia falciforme. A ferritina normal afasta deficiência de ferro como causa da anemia.

Contexto Educacional

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária autossômica recessiva, caracterizada pela produção de hemoglobina S (HbS), que polimeriza em condições de baixa oxigenação, deformando as hemácias em forma de foice. Essas células rígidas e aderentes causam oclusão de pequenos vasos, levando a isquemia e infarto tecidual, resultando nas dolorosas crises vaso-oclusivas. É uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil, com alta morbimortalidade. O diagnóstico é frequentemente feito no teste do pezinho, mas pode ser suspeitado clinicamente em crianças com anemia crônica, icterícia, esplenomegalia (inicialmente, depois autoesplenectomia), e episódios recorrentes de dor, especialmente após infecções. Laboratorialmente, observa-se anemia normocítica normocrômica, reticulocitose (indicando hemólise), e a hematoscopia revela as características hemácias em foice. A eletroforese de hemoglobina confirma o diagnóstico. O manejo da anemia falciforme é multidisciplinar, visando prevenir crises, controlar a dor, prevenir infecções (vacinação, penicilina profilática) e tratar as complicações. A hidroxiureia é uma medicação importante que aumenta a produção de hemoglobina fetal (HbF), reduzindo a polimerização da HbS e a frequência das crises. O transplante de medula óssea é a única cura, mas com indicações restritas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns da anemia falciforme em crianças?

Em crianças, os sintomas mais comuns incluem anemia crônica, icterícia, atraso no crescimento, e crises de dor vaso-oclusiva, que podem afetar ossos, articulações e órgãos. Infecções frequentes e síndrome mão-pé também são manifestações comuns.

Como a hematoscopia auxilia no diagnóstico da anemia falciforme?

A hematoscopia é crucial, pois a presença de hemácias em forma de foice (drepanócitos) é patognomônica da anemia falciforme. Outros achados podem incluir corpúsculos de Howell-Jolly e células em alvo, indicando hipoesplenismo funcional.

Por que a ferritina estava normal no caso da criança com anemia falciforme?

A ferritina normal indica que não há deficiência de ferro, o que é importante para diferenciar a anemia falciforme de outras causas de anemia, como a ferropriva. Na anemia falciforme, a anemia é de origem hemolítica, e a ferritina pode até estar elevada devido a transfusões ou hemólise crônica.

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