INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020
Nos pacientes portadores de anemia falciforme qual dos agentes abaixo deve ser lembrado, além do estafilococo, como possível etiologia de osteomielite?
Anemia Falciforme + Osteomielite → Pensar em Salmonella spp. além de Staphylococcus aureus.
Pacientes com anemia falciforme têm maior risco de infecções por bactérias encapsuladas devido à esplenia funcional, mas também são particularmente suscetíveis à Salmonella spp. A Salmonella é uma causa comum de osteomielite nesses pacientes, superando até mesmo o Staphylococcus aureus em algumas séries.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária que predispõe os pacientes a diversas complicações, incluindo infecções graves. A osteomielite, uma infecção óssea, é uma complicação frequente e grave nesses indivíduos, com uma etiologia bacteriana que difere da população geral. Enquanto o Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum de osteomielite na população em geral, em pacientes com anemia falciforme, a Salmonella spp. (especialmente Salmonella enterica sorotipo Typhimurium) assume um papel de destaque. A maior suscetibilidade à Salmonella nesses pacientes é atribuída à esplenia funcional (autoesplenectomia), que compromete a capacidade de clarear bactérias encapsuladas e também a Salmonella da corrente sanguínea. Além disso, os infartos ósseos recorrentes, resultantes das crises vaso-oclusivas, criam áreas de necrose que servem como nichos ideais para a proliferação bacteriana. O diagnóstico da osteomielite em pacientes falciformes pode ser desafiador, pois os sintomas (dor óssea, febre) podem mimetizar uma crise vaso-oclusiva. A cultura de sangue e de aspirado ósseo são essenciais para identificar o patógeno. O tratamento empírico deve cobrir tanto Staphylococcus aureus quanto Salmonella spp., geralmente com uma combinação de antibióticos como cefalosporinas de terceira geração e vancomicina, até que os resultados das culturas estejam disponíveis. A duração do tratamento é prolongada, visando a erradicação completa da infecção e a prevenção de sequelas.
A esplenia funcional, comum na anemia falciforme, compromete a capacidade de clarear bactérias encapsuladas e também a Salmonella. Além disso, as crises vaso-oclusivas podem causar infartos ósseos, criando um ambiente propício para a proliferação bacteriana, especialmente da Salmonella.
Os principais agentes são Staphylococcus aureus e Salmonella spp. Embora S. aureus seja o mais comum na população geral, a Salmonella tem uma prevalência significativamente maior em pacientes falciformes.
O tratamento empírico deve cobrir tanto Staphylococcus aureus (com vancomicina ou clindamicina, se houver suspeita de MRSA) quanto Salmonella spp. (com uma cefalosporina de terceira geração, como ceftriaxona). A duração do tratamento é prolongada, geralmente de 4 a 6 semanas.
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