PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023
Sr. Nelson, 63 anos, estava internado devido à infecção importante em pé diabético e com indicação de abordagem cirúrgica. Estava em acompanhamento por doença renal crônica estágio 4, HAS e DM2. Os exames feitos na internação mostraram os seguintes resultados: Hemoglobina: 8,0 mg/ dl, Hematócrito 24%, VCM 82 fL, HCM 28 pg, RDW 17%, Leucócitos 11.000/mm3, Neutrófilos 8,500/mm3 (sem desvio), Plaquetas 158.000/mm³, Ferro sérico 32 µg/dL, Saturação de transferrina 14%, Ferritina 155 ng/ml, Ácido fólico 12 µg/dL, B12 330 µg/dL, creatinina 3,5 µg/dL Glicemia 158 µg/dL Durante a visita, dois residentes discutiam a conduta: um ponderava que havia indicação de prescrição de duas unidades de concentrado de hemácias no pré-operatório e de dosagem de eritropoetina (EPO) sérica. Outro discordava das indicações do colega, afirmando que, na verdade, havia indicação de suplementação de ferro endovenoso. Com relação ao caso acima, e o manejo da anemia neste paciente, assinale a alternativa correta:I. A administração de ferro IV está correta, visto que o paciente apresenta anemia importante, ferro sérico baixo e será submetido a um procedimento que pode demandar perda sanguínea;II. A hepcidina é uma proteína majoritariamente de origem hepática e é considerada uma proteína de fase aguda, regulando as concentrações plasmáticas de ferro, exercendo um papel fundamental no metabolismo do ferro e na resposta imune à inflamação e à infecção;III.A administração de ferro deve ser evitada durante uma infeção, pois o organismo tende a absorver menos ferro, tentando privar as bactérias invasoras do ferro que elas necessitam para prosperar;IV. A principal causa da anemia na DRC é um declínio na produção renal de EPO. A redução da semivida dos eritrócitos e o aumento de citocinas pró-inflamatórias que ocorrem na DRC podem também contribuir para a patogênese da anemia nesta populaçãoAssinale a alternativa correta:
Anemia na DRC com infecção: evitar ferro IV durante infecção ativa; hepcidina ↑; EPO ↓.
A anemia na Doença Renal Crônica (DRC) é multifatorial, com destaque para a deficiência de eritropoetina. Em pacientes com infecção ativa, a hepcidina elevada altera o metabolismo do ferro, e a suplementação de ferro IV deve ser cautelosa, pois pode piorar a infecção.
A anemia é uma complicação comum e significativa da Doença Renal Crônica (DRC), afetando a qualidade de vida e aumentando a morbimortalidade. Sua prevalência aumenta com a progressão da DRC. A importância clínica reside na necessidade de um manejo cuidadoso, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes e infecções. A fisiopatologia da anemia na DRC é multifatorial. A principal causa é a deficiência de eritropoetina (EPO), hormônio produzido pelos rins que estimula a eritropoiese. Outros fatores incluem deficiência de ferro (absoluta ou funcional), inflamação crônica (que eleva a hepcidina, bloqueando a liberação de ferro), redução da vida útil dos eritrócitos e perdas sanguíneas. A hepcidina, uma proteína de fase aguda, desempenha um papel central na regulação do ferro, sendo elevada em estados inflamatórios e na DRC. O tratamento da anemia na DRC envolve a reposição de ferro (oral ou intravenoso, com cautela em infecções ativas) e, quando necessário, o uso de agentes estimuladores da eritropoiese (AEEs), como a eritropoetina. A decisão de transfundir hemácias deve ser individualizada, considerando os sintomas do paciente e o risco cirúrgico. Em contextos de infecção ativa, a administração de ferro deve ser avaliada criteriosamente devido ao risco de piora da infecção, um mecanismo de defesa do hospedeiro para privar patógenos de ferro.
A hepcidina é um peptídeo hepático que regula o metabolismo do ferro. Em estados inflamatórios e na DRC, seus níveis aumentam, bloqueando a liberação de ferro dos macrófagos e a absorção intestinal, contribuindo para a anemia.
Durante infecções, o organismo restringe o acesso ao ferro para as bactérias, que o utilizam para seu crescimento. A suplementação de ferro pode, teoricamente, fornecer substrato para patógenos e agravar a infecção.
A principal causa é a deficiência de produção renal de eritropoetina. Outros fatores incluem deficiência de ferro (funcional ou absoluta), inflamação crônica (aumentando hepcidina), redução da vida útil dos eritrócitos e perdas sanguíneas.
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