Anemia na Doença Renal Crônica: Papel da Eritropoetina

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 59 anos de idade, em hemodiálise há 18 meses devido à doença renal crônica secundária à diabetes mellitus tipo 2. Durante os últimos três meses vem se queixando de fadiga crescente, câimbras musculares e dor óssea. Exames laboratoriais revelam hemoglobina: 8,9 g/dL, PTH intacto: 850 pg/mL, cálcio sérico: 7,8 mg/dL, fósforo: 6,1 mg/dL. Diante do caso, indique o mecanismo predominante na anemia do paciente:

Alternativas

  1. A) Incapacidade de uso do estoque de ferro pelo aumento da hepcidina.
  2. B) Supressão da hematopoese, devido à hiperfosfatemia crônica.
  3. C) Redução da hematopoese pela deficiência de eritropoetina.
  4. D) Aumento da destruição de hemácias pela hipocalcemia crônica.

Pérola Clínica

Anemia na DRC = Deficiência de Eritropoetina (normocítica e normocrômica).

Resumo-Chave

A principal causa de anemia na doença renal crônica é a falência endócrina renal na produção de eritropoetina, resultando em eritropoese ineficaz apesar de estoques de ferro presentes.

Contexto Educacional

A anemia da Doença Renal Crônica (DRC) é tipicamente normocítica e normocrômica. O mecanismo central é a redução da síntese de eritropoetina (EPO) pelas células intersticiais peritubulares do córtex renal, que ocorre proporcionalmente à perda de massa renal funcional. Outros fatores contribuintes incluem a redução da vida média das hemácias por toxinas urêmicas, deficiência de ferro (funcional ou absoluta) e inflamação crônica. No paciente em hemodiálise, a avaliação deve ser rigorosa, garantindo saturação de transferrina >20% e ferritina >200 ng/mL antes de otimizar a terapia com EPO. O caso clínico também destaca o hiperparatireoidismo secundário (PTH elevado, cálcio baixo, fósforo alto), que é uma complicação metabólica clássica que pode agravar a anemia por induzir fibrose na medula óssea.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar agentes estimuladores da eritropoese (AEE) na DRC?

Geralmente indica-se o início de AEE (como a epoetina alfa) quando a hemoglobina cai abaixo de 10 g/dL, visando manter um alvo entre 10 e 11,5 g/dL, evitando ultrapassar 13 g/dL pelo risco cardiovascular.

Como o hiperparatireoidismo contribui para a anemia na DRC?

Níveis muito elevados de PTH (como os 850 pg/mL do caso) podem causar fibrose medular (osteíte fibrosa cística), o que reduz o espaço para a hematopoese e contribui para a resistência à ação da eritropoetina.

Qual o papel da hepcidina na anemia do renal crônico?

A hepcidina está elevada na DRC devido ao estado inflamatório crônico e redução do clearance renal, o que bloqueia a ferroportina, impedindo a liberação de ferro dos estoques (macrófagos) para o plasma.

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