PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Homem de 62 anos queixa-se de dispneia e dor torácica aos esforços e astenia por duas semanas. É portador de hipertensão arterial sistêmica e doença renal crônica (creatinina basal 2,9mg/dL; clearance de creatinina 24mL/min/1,73 m²). EXAMES DE LABORATÓRIO: hemoglobina 6,4g/dL; VCM 75fL; HCM 25pg; CHCM 29g/dL; RDW 16,5%; leucócitos 6.500/mm³; neutrófilos 3.560/mm³; ferritina 20pmol/L; índice de saturação da transferrina 6%. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta inicial INADEQUADA:
Anemia DRC + Deficiência ferro grave → Repor ferro antes de eritropoietina.
Em pacientes com doença renal crônica e anemia grave por deficiência de ferro, a prioridade é a reposição de ferro (frequentemente parenteral) e a investigação de sangramento. A eritropoietina só deve ser iniciada após a correção da deficiência de ferro, pois sua eficácia é limitada na ausência de substrato.
A anemia é uma complicação comum e significativa da doença renal crônica (DRC), contribuindo para a morbidade e mortalidade dos pacientes. Sua etiologia é multifatorial, incluindo deficiência de eritropoietina, deficiência de ferro, inflamação crônica e perda sanguínea. O manejo adequado da anemia na DRC é um pilar fundamental no cuidado desses pacientes, exigindo uma abordagem sistemática e individualizada. A avaliação da anemia na DRC deve sempre incluir a investigação do estado do ferro. Parâmetros como ferritina sérica e saturação da transferrina são cruciais para diagnosticar a deficiência de ferro, que pode ser absoluta ou funcional. No caso apresentado, a anemia é microcítica e hipocrômica, com ferritina e saturação da transferrina muito baixas, indicando uma deficiência de ferro grave que precisa ser corrigida. Além disso, em pacientes idosos com anemia ferropriva, a investigação de sangramento gastrointestinal (com EDA e colonoscopia) é imprescindível. A eritropoietina é um agente estimulador da eritropoiese (AEE) utilizado para tratar a anemia da DRC, mas sua eficácia é otimizada quando as reservas de ferro estão adequadas. Iniciar a eritropoietina sem corrigir a deficiência de ferro é uma conduta inadequada, pois a medula óssea não terá o substrato necessário para produzir hemácias, resultando em uma resposta subótima ou ausente. A transfusão de concentrado de hemácias é indicada em casos de anemia grave sintomática para estabilização rápida do paciente.
A conduta inicial para anemia grave por deficiência de ferro em DRC inclui a reposição de ferro (preferencialmente parenteral devido à absorção reduzida) e a investigação de possíveis fontes de sangramento, como o trato gastrointestinal.
A eritropoietina é indicada para anemia da DRC quando a hemoglobina está abaixo de 10 g/dL e as reservas de ferro estão adequadas ou foram repostas. Não deve ser a primeira medida na presença de deficiência de ferro.
Exames essenciais incluem ferritina sérica e saturação da transferrina. Valores baixos indicam deficiência de ferro, mesmo que a anemia de doença crônica também esteja presente.
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