HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Homem, 60 anos, hipertenso há 20 anos, com doença renal crônica, KDIGO estágio 3b, comparece à consulta ambulatorial de revisão. Está em uso de doses máximas de enalapril, hidroclorotiazida e sinvastatina. Ao exame, apresenta PA 150/90 mmHg e edema 1+/4. Traz exames laboratoriais: hematócrito 33% e hemoglobina 10,5 g/dL, creatinina 2,0 mg/dL, potássio 4,3 mEq/L, bicarbonato19 mEq/l, cálcio sérico 7,8 mg/dL albumina 4,2 g/dL, fósforo 5,1 mg/dL e PTH intacto 300 pg/mL. Em relação às complicações da doença renal crônica neste caso, assinale a alternativa correta.
DRC estágio 3b: Anemia é comum. Iniciar eritropoetina se Hb < 10 e reservas de ferro adequadas.
A anemia é uma complicação prevalente na Doença Renal Crônica (DRC), manifestando-se geralmente a partir do estágio 3. A indicação para iniciar a terapia com agentes estimuladores da eritropoiese, como a eritropoetina humana recombinante, ocorre quando a hemoglobina está abaixo de 10 g/dL, desde que as reservas de ferro do paciente estejam adequadas, o que é crucial para a resposta ao tratamento.
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva que afeta milhões de pessoas globalmente, sendo classificada em estágios de acordo com a taxa de filtração glomerular (TFG). O estágio 3b (TFG entre 30-44 mL/min/1.73m²) já se associa a diversas complicações sistêmicas, impactando significativamente a qualidade de vida e a mortalidade dos pacientes. As principais causas de DRC incluem hipertensão arterial e diabetes mellitus, como no caso apresentado, onde a HAS é um fator etiológico importante. Entre as complicações da DRC, a anemia é uma das mais prevalentes e clinicamente relevantes, geralmente manifestando-se a partir do estágio 3. Sua fisiopatologia é multifatorial, mas a principal causa é a deficiência na produção renal de eritropoetina, um hormônio essencial para a eritropoiese. Outros fatores incluem deficiência de ferro, inflamação crônica e perda sanguínea. O diagnóstico da anemia na DRC é feito pela dosagem da hemoglobina, e a suspeita deve ser alta em pacientes com TFG reduzida e sintomas como fadiga, dispneia e palidez. O tratamento da anemia na DRC envolve a correção da deficiência de ferro, se presente, e a terapia com agentes estimuladores da eritropoiese (AEE), como a eritropoetina humana recombinante, quando a hemoglobina cai abaixo de 10 g/dL. É crucial garantir que as reservas de ferro estejam adequadas antes ou durante o início da AEE para otimizar a resposta. O manejo das outras complicações, como hipertensão, distúrbios do metabolismo mineral e ósseo (hiperparatireoidismo secundário) e acidose metabólica, também é fundamental para retardar a progressão da doença e melhorar o prognóstico do paciente.
A anemia na DRC é diagnosticada quando a hemoglobina está abaixo de 13 g/dL em homens e 12 g/dL em mulheres. No paciente da questão, com Hb de 10,5 g/dL, a anemia é confirmada e já é considerada significativa para o estágio da doença renal.
A reposição de eritropoetina é indicada em pacientes com DRC e anemia (Hb < 10 g/dL) após a exclusão de outras causas de anemia e a garantia de que as reservas de ferro estão adequadas. O objetivo é manter a hemoglobina entre 10 e 11,5 g/dL, evitando níveis muito altos que podem aumentar riscos cardiovasculares.
Além da anemia, o paciente apresenta hipertensão arterial não controlada (PA 150/90 mmHg), acidose metabólica (bicarbonato 19 mEq/L) e hiperparatireoidismo secundário (PTH 300 pg/mL, fósforo 5,1 mg/dL, cálcio 7,8 mg/dL). A hipertensão exigiria otimização da terapia anti-hipertensiva, a acidose metabólica poderia ser tratada com bicarbonato e o hiperparatireoidismo secundário com restrição de fósforo, quelantes de fósforo e, se necessário, calcitriol ou calcimiméticos, após correção do cálcio.
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